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More than words.

More than words.

Rebel life (4)

 Large

"Porque é que me estás a ligar? Onde é que estás?"

- Merda. – resmungou Ryan começando a enfiar para dentro da mochila as latas de tinta que tinham ficado espalhadas pelo chão, estavam cheias de impressões digitais deles e bastava serem analisadas para que todos fossem facilmente apanhados. – Despachem-se! – disse para os outros.

Madeleine começou a ajudá-lo rapidamente com as latas ao mesmo tempo que via o carro da polícia aproximar-se cada vez mais rápido, provavelmente já tinham visto os seus vultos. Kevin olhou para o carro e ainda com a sua lata na mão aproximou-se de novo do muro e escreveu com letras bem grandes: Rebel Life. Não olhou mais para trás e começou a correr atrás dos amigos que já tinham começado a fugir.

Chegaram ao fim do quarteirão e viraram para uma outra rua qualquer ainda ladeada por enormes casas, sabiam que a polícia vinha atrás deles pois para além do barulho do carro viam as luzes que se reflectiam por todos os sítios. Kevin tinha ficado mais para trás contudo facilmente tinha conseguido alcançar os outros, Rachel bufou completamente cansada sentindo o seu coração bater a mil à hora mas não parou de correr nunca pois sabia o que implicava parar. Madeleine seguia os outros apesar de estar um pouco mais atrás, corria com quanta força tinha mas o nervosismo não ajudava em nada naquela situação. Sentiu um dos seus pés tropeçar em algo e no momento seguinte o seu corpo embateu com toda a força no chão.

- Au! – queixou-se ao sentir as dores num dos lados do seu rosto e ao levantar a cabeça viu umas gotas de sangue no pavimento. Os outros pararam de correr e quando viu que vinham ajudá-la começou a gritar que que fugissem. – Vão-se embora! – gritou o mais alto que conseguia enquanto o carro da polícia parava mesmo atrás dela. Os outros começaram a correr desaparecendo rápido do seu alcance de visão, ela tinha sido apanhada mas saber que os amigos estavam livres era um alívio, para além de que sabia que o mais certo era conseguir sair da prisão sem lhe fazerem nada. Era apenas uma adolescente inofensiva sem antecedentes criminais ou algo do género.

O seu corpo foi erguido do chão com brutalidade por um dos polícias que lhe prendeu as mãos atrás das costas para que ela não conseguisse escapar. Passou a língua pelos lábios sentindo o sabor do seu próprio sangue e engoliu em seco.

- Olha só o que temos aqui. – exclamou o outro polícia que entretanto também tinha saído do carro. Madeleine manteve-se sempre de olhar baixo e calada, não queria falar e muito menos ir para a esquadra da polícia, no entanto sabia que era impossível deixarem-na ir assim embora sem mais nem menos.

O polícia empurrou-a para dentro do carro e a rapariga manteve-se quieta o tempo todo, estava algemada, não havia por isso nada que pudesse fazer. Não tardou a que chegassem à esquadra, engoliu em seco quando entrou lá dentro e aquelas luzes lhe fizeram confusão nos olhos já para não falar no barulho que não contribuía em nada para a dor de cabeça que começava a surgir.

- Quero ir embora. – olhou para o polícia que ainda a agarrava pelo braço e suspirou quando foi empurrada para dentro de uma sala e a obrigaram a sentar-se numa cadeira.

- Depois de nos explicares o que estavas a fazer e quem eram as pessoas que estavam contigo. – o polícia começou a andar em volta naquela sala sem nunca deixar de olhar para ela enquanto esperava a sua resposta.

Madeleine abanou a cabeça, não ia contar nada, preferia ficar ali presa do que pôr os amigos naquela situação e trazê-los também para ali. Nunca os iria trair de qualquer maneira, por isso os tinha mandado fugir quando sabia que eles a vinham ajudar.

- Não estava a fazer nada. – engoliu em seco enquanto na sua cabeça ia surgindo a mentira que iria contar, sabia que não acreditariam nela mas tinha de fazer o que fosse preciso para conseguir sair dali. – Estava a dar uma volta e assustei-me quando vi o carro da polícia. – continuou a falar fitando os seus pés. – Não sei quem eles eram, não os conheço. – fechou os olhos.

Ouviu o polícia deixar escapar um pequeno riso. – Conseguirias ser convincente se não estivesses a mentir. – o polícia parou em frente a ela. – Vou deixar-te ir embora até porque não passas de uma miudinha que parece não fazer mal a uma mosca. – retorquiu e pegou num telefone estendo-o para ela. – Liga aos teus pais, só sais daqui quando te vierem buscar.

Madeleine engoliu em seco, não podia sequer pensar em ligar aos pais. Eles passavam-se e punham-na de castiga até ela fazer oitenta anos, para depois a seguir a matarem.

- Os meus pais não estão cá. – já que tinha contado uma mentira não fazia mal continuar com aquilo. – Posso ligar a um amigo? – perguntou levantando finalmente o olhar para o polícia. Este assentiu com a cabeça, tirou-lhe as algemas fazendo a rapariga abanar ligeiramente as mãos ao senti-las livres. O polícia começou a afastar-se.

- Estou do lado de fora da porta quando acabares. – retorquiu abrindo a porta e saindo lá para fora. A rapariga pegou no telefone e marcou o número do Kevin, poderia ser estúpido ligar para ele mas tinha sido a primeira pessoa que lhe tinha vindo à cabeça, os polícias não tinham visto os amigos para além de vultos que poderiam ser qualquer pessoa.

- Kevin. – chamou baixo quando o rapaz atendeu o telemóvel.

- Mads?? – ele gritou. – Porque é que me estás a ligar? Onde é que estás? – perguntou.

A rapariga revirou os olhos quando parecia que ele nunca mais se calava com as perguntas. – Estou na esquadra… - murmurou. – Anda cá buscar-me por favor, eles só me deixam sair se alguém me vier buscar.

- Estás doida ou quê? – o rapaz bufou. – Eles ainda me apanham Madeleine. – retorquiu num tom de voz exasperado.

- Eles não sabem nada de vocês. – suspirou. – Eu não posso ligar aos meus pais, por favor anda buscar-me. – pedinchou mordendo o lábio. O rapaz lá acabou por ceder, afinal não podia deixar a rapariga ali, ela tinha-os tirado daquela situação ao deixar que apenas ela fosse apanhada.

Madeleine pousou o telefone e levantou-se indo abrir a porta devagar e vendo o polícia encostado à ombreira da mesma à sua espera. Explicou-lhe que o amigo a vinha buscar não tardava nada e o polícia mandou-a sentar-se numa das cadeiras que estavam lá numa espécie de sala de espera ou lá o que aquilo era.

A rapariga encostou a cabeça para trás e tocou levemente com um dedo no lado direito do seu rosto, aquele que estava magoado. Com tudo aquilo nunca mais se tinha lembrado daquele pequeno pormenor na sua cara. Fez uma careta quando sentiu uma dor percorrer-lhe toda aquela parte, provavelmente estava toda pisada devido à força com que tinha batido no chão. Olhou o seu dedo cheio de vestígios de sangue já meio seco, encolheu os ombros e respirou fundo, estava livre e isso era o mais importante.

 

Espero que estejam a gostar ^^

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