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More than words.

More than words.

Rebel life (17)

"Kevin a salvar o dia."

“ Um corpo foi encontrado esta manhã perto da floresta, tendo sido dado como morto logo no local onde foi encontrado. Depois de uma curta investigação policial sabe-se apenas que foi acto do lobo que já é visto nesta cidade à algumas semanas. Até ao momento não se sabe de mais nenhum promenor.”

 

Kevin deixou cair dentro do caixote do lixo mais próximo de si o jornal daquele dia. Já sabia que aquilo ia ser a grande notícia do dia e não estranhava nada toda a agitação que era evidente na cidade. Afinal, o lobo que todos temiam tinha matado uma pessoa. Seria agora aquela cidade segura? A resposta do rapaz era sim, pois ele não pretendia matar mais ninguém, aliás ele nunca quisera matar ninguém sequer, mas John tinha-se posto no seu caminho e foi a única saída possível para ele.

Olhou para o telemóvel vendo as horas, depois de várias chamadas entre o grupo de amigos tinham combinado encontrar-se de novo para que Kevin lhes contasse mais promenores de toda aquela sua vida paralela. Os outros deviam estar todos demasiado curiosos e Kevin ainda não tinha falado mais com Rachel e Ryan depois de no dia anterior ambos se terem ido embora.

Não tardou a que chegasse ao armazém, onde tinham combinado encontrar-se, e os outros já lá estavam todos.

- Olá. – cumprimentou Kevin aproximando-se até ao local onde eles se encontravam. Depois de todos retribuirem o cumprimento o rapaz sentou-se à frente deles formando assim um pequeno círculo.

- Já viram os jornal desta manhã? – perguntou Madeleine ao que todos os outros assentiram.

- É normal aquilo ser a principal notícia, até era demasiado estranho se não fosse. – comentou Ryan encolhendo os ombros e os seus olhos foram parar de imediato a Kevin, o centro de toda a atenção naquele momento.

O rapaz suspirou e deitou um olhar para Rachel, ela retribuiu com um sorriso e não foi preciso mais nada para que ele entendesse que estava tudo bem entre os dois. Pelo menos isso, tinha demasiado medo da reacção de Rachel a todos aqueles acontecimentos por isso era um certo alívio para si ver que apesar de tudo a amiga continuava do seu lado.

Clareou a garganta e decidiu de uma vez por todas começar a falar. – Vocês devem querer saber tudo… desde o início… - olhou em volta para os amigos, os olhos dos três estavam apenas centrados nele e podia ver toda a curiosidade nos mesmos. Engoliu em seco e deixou-se ficar a olhar para eles também. – Tudo isto vem desde o meu avó, à muito tempo já. Quando ele era mais ao menos da mesma idade do que eu aconteceu-lhe algo estranho, ele diz que foi visitado por um homem completamente desconhecido para ele e disse-lhe que a sua vida iria mudar. O meu avó não tinha entendido o que ele queria dizer com aquilo, mas uns dias mais tarde ela sofreu a transformação. Era um lobo. – engoliu em seco e suspirou baixinho. – Ele começou a procurar a razão de tudo aquilo e acabou por descobrir que era tudo uma maldição à sua família. – o avó de Kevin tinha vivido o resto de toda a sua vida com aquela maldição no seu corpo, por muitas tentativas que fizesse para quebrar aquele feitiço nada resultava. Acabou por morrer já com alguma idade quando Kevin era apenas uma criança sendo que não tinha praticamente recordações do avó. – Quando o meu avó morreu ele deixou-me um diário que ele tinha escrito mas que só poderia lê-lo quando fosse um pouco mais velho pois naquela altura não iria entender nada do que lá estava escrito. Quando o li, descobri todos aqueles segredos e à medida que ia lendo fui descobrindo que poderia acontecer-me o mesmo a mim. – olhou para cada um dos seus amigos. – O meu pai não tinha sido amaldiçoado com o feitiço por isso ele nunca se tornou um lobo. Mas o feitiço não tinha sido quebrado nunca por isso eu corria o risco de ter esse… azar. E foi isso que aconteceu, à uns tempos eu transformei-me. – engoliu em seco. – O diário do meu avó explicava-me tudo o que eu precisava de saber por isso quando aconteceu eu já estava mais ao menos preparado. – o rapaz parou de falar por uns momentos. – Apesar de o meu pai não ter esta maldição ele sabe de tudo, como é obvio, e felizmente sempre me ajudou bastante pois sabia o que o meu avó, pai dele, tinha passado por causa disto.

- Que grande história… - comentou Ryan quando percebeu que Kevin tinha acabado de lhes contar o principal de tudo aquilo. – Mas porque é que naquela vez que eu estava naquela mercearia apareceste como se me quisesses matar? – perguntou confuso, agora que sabia quem era o lobo não sabia o porquê de Kevin o ter assustado daquela maneira naquela noite.

Kevin abanou a cabeça e sorriu levemente. – Eu não te ia matar Ryan nem fazer-te mal, apenas queria que saisses dali. – voltou a ficar sério. – Aquela mercearia é ao pé da minha casa como deves já ter reparado e eu conheço as pessoas que lá trabalham e gosto bastante delas. Não mereciam o que lhes ias fazer. – encolheu os ombros. – Foi apenas por isso que quis assustar-te.

- Kevin a salvar o dia. – disse Rachel com uma pequena gargalhada.

Todos os outros acabaram por se rir também.

- Querem saber mais alguma coisa? – perguntou Kevin, agora que eles sabiam do seu segredo parecia que tudo se tinha tornado mais fácil e mais “leve”. Não tinha de lhes esconder nada e isso era bom.

Todos acabaram por fazer algumas perguntas, ou por dúvidas de algo que ele tinha dito ou apenas por mera curiosidade. O resto da manhã tinha passado assim e quando deram por ela tinham já passado algumas horas.

- Queria pedir-vos uma coisa. – disse Rachel quando já todos pareciam estar esclarecidos e sem perguntas.

- O quê? – perguntou Ryan e ficaram todos a olhar para ela com curiosidade.

Rachel engoliu em seco e deixou escapar um suspiro. – Amanhã é o funeral do… do meu pai. – murmurou. – Eu não queria nada ir mas tenho de ir. Porque… vocês sabem. – encolheu os ombros. – O que queria pedir era que vocês fossem comigo. – olhou para eles. – Assim não me ia sentir tão sozinha lá no meio de todas aquelas pessoas desconhecidas e de todos aqueles olhares de pena. – revirou ligeiramente os olhos e ficou a olhar para eles à espera que dissessem alguma coisa.

- Claro que vamos contigo. – Madeleine foi a primeira a falar e pôs os braços em volta dos ombros da amiga.

Ryan sorriu. – Sempre juntos para tudo! – acabou por dizer juntando-se a Madeleine no pequeno abraço.

Kevin seguiu o exemplo e abraçou também os amigos, não precisava de dizer nada pois sabia que os amigos sabiam que a sua resposta também seria sim. Tinha matado o pai de Rachel e isto era a mínima coisa que poderia fazer por ela. Era bom saber que tinha amigos e ainda melhor que eram aqueles amigos, sabia que poderia sempre contar com eles para tudo assim como eles podiam sempre contar com ele.

 

Aqui está mais um capítulo, faltando assim apenas mais três para o fim desta história! Já só me falta escrever o último capítulo, que espero escrever brevemente e depois irei começar a dedicar-me à hsitória nova para a qual já tenho ideias e estou bastante entusiasmada!

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