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More than words.

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Hopeless (1)

Capítulo 1

Savannah Sparks

“Muitos perguntam se eu estou bem, mas poucos se importam com a resposta.”

 

Savannah passou os dedos pelos seus olhos ligeiramente inchados e que ela calculava que estivessem também completamente vermelhos. Tinha estado parte da tarde a chorar como acontecia com bastante frequência nos últimos tempos. Chorar era quase tão natural para ela como respirar.

Abriu a porta da casa de banho e, encostando-a depois, aproximou-se do espelho e fitou o seu rosto no reflexo do mesmo. Suspirou pesamente e abriu a torneira, molhou as mãos com água e depois passou no rosto. Só queria disfarçar aquilo, queria que o seu rosto ficasse normal como se ela estivesse feliz. Queria poder colocar uma máscara e fingir que tudo estava bem.

- Savannah! – ouviu a voz de Miles vinda algures de dentro da casa e suspirou engolindo em seco.

Fechou a água e depois de se olhar uma última vez ao espelho passou os dedos pela sua roupa alisando a mesma e acabou por sair da casa de banho.

- Estou aqui… - respondeu a rapariga ao chegar à sala, sentou-se numa ponta do sofá onde Miles também estava sentado. Olhou para o rapaz e viu o sorriso que estava nos lábios dele. Parecia sempre tudo tão mais fácil para ele. Sentia que era a única a sofrer e isso não era justo. Nada era justo, nunca.

- Logo vamos jantar fora. – disse ele e deslizou pelo sofá até ficar próximo dela. Pousou uma mão na perna dela apenas tapada pelo tecido das calças de ganga que estava a usar. – Por isso põe-te bonita. – acrescentou aproximando-se mais dela e beijando-lhe o pescoço.

- Vamos jantar onde? – perguntou Savannah permanecendo quieta enquanto sentia os suaves lábios de Miles pelo seu pescoço. Não era muito habitual irem jantar fora, no entanto Savannah gostava quando isso acontecia. Significava que não iriam estar sozinhos e isso deixava-a mais tranquila.

Ele parou por momentos o que estava a fazer e encolheu os ombros. – A um restaurante que abriu à pouco tempo. – voltou de novo a dar beijos pelo pescoço da rapariga parando ao fim de algum tempo. – É melhor irmos arranjar-nos. – levantou-se do sofá. – Não quero que nos atrasemos. – depois de falar abandonou a sala deixando Savannah sozinha.

A rapariga acabou por subir para o quarto que partilhava com Miles, apesar de ambos serem ainda novos, à cerca de um ano tinham decido ir viver juntos. Tinha sido ideia de Miles e na altura Savannah tinha aceitado com todo o gosto. Para quê adiar o que era o mais provável que iria acontecer? Agora, olhando para trás, a rapariga só queria ter tomado uma decisão diferente daquela.

 

O jantar, naquele novo restaurante que tinha aberto na cidade à poucos dias, tinha corrido com toda a normalidade, ou Savannah assim o pensava. Tinham conseguido ter uma conversa coerente, coisa que ultimamente acontecia com pouca frequência, o jantar estava delicioso e Miles tinha prometido que voltariam ali mais vezes.

- O que foi aquilo? – perguntou o rapaz, quando depois de sairem de dentro do estabelecimento entraram no carro que estava no parque de estacionamento ao lado do restaurante.

- O quê? – perguntou Savannah enquanto colocava o cinto de segurança e pelo canto do olho olhava para o namorado.

- Passaste parte do jantar a olhar para o rapaz que estava na mesa à beira da nossa. – ele proferiu aquelas palavras e Savannah conseguiu aperceber-se do ódio que estava por trás delas.

- Eu não estive a olhar para ninguém. – fez uma cara confusa, nem sequer sabia como era o rapaz que estava na mesa ao lado deles. Não tinha reparado nele, como é que Miles podia estar a dizer aquilo?

Ele abanou a cabeça e começou a conduzir para casa. – Não mintas Savannah, eu não sou cego. – retorquiu.

Ela suspirou e encolheu-se toda no assento como se pudesse desaparecer, deixando-se ficar calada, porque se falasse sabia que só iria piorar as coisas. Tinha aprendido que o silêncio era um dos seus melhores amigos naqueles momentos.

Não demorou até que chegassem a casa e depois de abrir a porta de entrada, Savannah entrou em casa sentindo sempre a presença de Miles mesmo atrás dela.

- Savannah. – o rapaz chamou-a e ela virou-se para Miles tentando controlar o tremor nas suas mãos, pois já antevia o que estava prestes a acontecer.

A rapariga involuntariamente deu uns passos para trás quando sentiu a mão de Miles bater com toda a força no seu rosto. De imediato sentiu uma dor percorrer todo o lado esquerdo da sua face. Antes de ter tempo de reagir àquilo o rapaz empurrou-a fazendo-a cair no meio do chão, ela encolheu-se toda e no momento seguinte Miles pontapeou-a mesmo no fundo das costas. Savannah mordeu o lábio com quanta força tinha para se impedir de gritar devido a todas aquelas dores dilacerantes que ela estava a sentir nas suas costas.

Ainda se lembrava da primeira vez que Miles lhe tinha batido, lembra-se como se tivesse sido ontem.

 

Savannah tinha acabado de chegar a casa depois de mais um dia de aulas quando Miles entrou de repente pela porta.

- Que se passa? – perguntou ela, caminhou até ele e como fazia todos os dias saltou para o colo do rapaz, agarrou-se e ele e entrelaçando as suas pernas em volta de Miles procurou a sua boca para o beijar. Naquele dia ele não tinha retribuido e Savannah estranhou o facto de ele estar demasiado tenso. Não era habitual nele.

- Que mensagens são aquelas no teu telemóvel? – perguntou num tom de voz sério.

Savannah franziu a testa tentando lembrar-se do que ele estava a falar e recordou-se, ao fim de uns segundos, que ele devia estar a falar das mensagens de Kyle.

- São de um colega de turma, não são nada demais. – abanou a cabeça acabando por se rir, no fundo gostava daquele ciumes que Miles sentia de todos os rapazes.

Quando se preparava para beijar Miles este largou-a e empurrando-a faz com que ela caísse no chão. Depois disso, deu-lhe pontapés, bateu-lhe no rosto e gritou com ela até ficar rouco.

Tinha-se passado quase um ano desde aquele dia, e desde aí as coisas só tinham vindo a piorar sempre.

 

A rapariga encolheu-se toda enquanto Miles continuava ainda a dar-lhe pontapés, desta vez nas pernas. Fechou os olhos com força e tentou fingir que não estava ali, tentou fingir que não era a ela que Miles estava a bater. Entretanto, começou a ouvir a voz do rapaz, mas as dores que sentia eram tão fortes que ela não conseguia prestar atenção a nada do que ele dizia.

 

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