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More than words.

More than words.

Another Life - 13

 

Deixei o meu corpo cair para o chão, até me encontrar sentada no mesmo. Coloquei as minhas mãos sobre as minhas pernas, fazendo uma ligeira força nas mesmas, de maneira a tentar que estas parassem de tremer. Engulo em seco sentindo-me nauseada devido à quantidade de sangue presente à minha beira, assim como o cheiro do mesmo que está agora entranhado no meu nariz. Tenho a sensação de que nunca me vou livrar deste cheiro e que ele vai passar a vida aqui, a relembrar-me daquilo que acabei de fazer.

O corpo do homem está caído no chão ao meu lado, a sua cara está completamente coberta de sangue e algo desfigurada, devido a eu ter dado o tiro na mesma.

- Eu matei-o… - sussurro baixo e sinto ódio de mim própria quando estas palavras saem da minha boca.

Não era suposto eu o ter matado, mas naqueles breves segundos, eu sabia que era eu ou ele. E obviamente que eu me escolhia a minha própria. Ele era o inimigo, ele queria fazer-me mal e por muito má que a minha vida fosse, eu nunca lhe daria o prazer de acabar com ela.

Abro as minhas mãos e de seguida esfrego-as nas minhas calças, sujando-as mais de sangue, apesar de as minhas mãos continuarem igualmente sujas. Afasto para lado os meus escuros cabelos, que me cobrem parte do rosto e naquele mesmo instante, oiço barulho vindo do corredor e sei que alguém vem aí. Consigo ouvir os passos.

- Summer? – é Cameron quem acabou de chegar, e nesse mesmo instante, começo a chorar compulsivamente.

- Eu matei-o, Cameron. – digo olhando para ele e vendo que ele está a olhar para o corpo. – Matei-o. – repito e de seguida ele anda até à minha beira. Segura as minhas mãos e olha para as mesmas.

- Tem calma… - sussurra num tom de voz tão baixo que fico sem ter a certeza se ele falou mesmo ou se não passou da minha imaginação.

- Matei-o. – repito sentindo as lágrimas a caírem a fio pelo meu rosto. – Sou um monstro, não sou? Também achas que eu sou um monstro, não achas?

- Summer, respira fundo. Estás muito nervosa, tens de te acalmar. – pede-me e ajuda-me a levantar. Sou obrigada a agarrar-me a ele, caso contrário sei que vou cair pois toda a força que tinha nas minhas pernas, abandonou-me.

Abano a cabeça repetidas vezes, balbuciando ao mesmo tempo frases que acho que nem sequer têm sentido. Estou em choque, uma reacção àquilo que acabei de fazer. Cameron não parece muito surpreendido, quer dizer, a única coisa que o deve surpreender é o facto de eu ter matado alguém, porque o facto de o outro estar morto, não deve ser um choque para ele. Isto deve passar a vida a acontecer, muitos deles devem morrer. Mas aposto que nunca nenhum foi morto, por uma rapariga como eu.

Arrasto os meus pés pelo chão e nem olho mais para trás. Sei que ele continua lá no chão e a arma está praticamente ao seu lado, no local onde eu a deixei cair depois de ter disparado.

Cameron leva-me pelos corredores, tentando dizer palavras que me acalmem mas de nada servem. O meu corpo não para de tremer e as lágrimas não param de cair pelo meu rosto.

Apenas parámos de andar quando chegámos ao local de onde tínhamos saído do carro, e que eu continuo a achar que é uma garagem. Ele ajuda-me a entrar para o seu interior e depois de ele entrar também, o carro arranca.

- O que é que me vai acontecer? – pergunto.

Ele não diz nada, e eu sei que isso não é nada bom.

 

Espero que estejam a gostar e que tenham gostado deste capítulo. Como podem perceber, eles agora estão ainda mais próximos devido ao que aconteceu.

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