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More than words.

More than words.

Another Life - 2

 

Quando consigo finalmente abrir os meus olhos e recuperar os meus sentidos, sinto-me completamente atordoada e confusa. Não me consigo lembrar de onde estou, de como vim aqui parar, de quem me trouxe para aqui.

Elevo o meu corpo, outrora deitado, e tento sentar-me com alguma dificuldade devido às dores que sinto por todo o meu corpo. Parece que andei a correr a meia maratona, devido às dores que sinto nas pernas, os meus braços, estão também fracos, nem sei porquê, mas o pior de tudo mesmo, é a minha cabeça. Sinto-a numa lástima, dói-me, sinto-a pesada e consigo sentir o sangue agora seco, que ficou colado na minha testa. Afasto para o lado os meus cabelos negros e passo os dedos pelas minhas bochechas, meio húmidas, talvez devido às lágrimas que caíram pelo meu rosto mas das quais eu nem sequer me apercebi.

Afasto a atenção de mim própria, e olho agora em volta, tentando entender onde me encontro. É um bocado difícil perceber, visto estar demasiado escuro, e a única luz existente, ser a que entra por uma pequena fresta, de uma pequena janela ali existente. Sei que não consigo espreitar pela mesma para o exterior, visto esta se encontrar a uma altura demasiado alta para eu conseguir lá chegar. Este local parece-me completamente vazio, e dou por mim a achar que estou na cave de uma casa qualquer.

 

Encolho-me e chego-me mais para trás, embatendo com o meu corpo contra uma parede, quando oiço barulho vindo de uma porta. Logo esta é aberta e alguém entra ali dentro. Ao início não consigo ver nada para além de um vulto, mas à medida que se vai aproximando, começo a conseguir visualizá-lo melhor. É um rapaz, alto e com um bom porte. Quando se aproxima mais, consigo perceber que é mais ao menos da minha idade, talvez uns dois ou três anos mais velho, mas não mais do que isso. Os seus cabelos curtos, são castanhos, meio aloirados e os seus olhos, agora fixos em mim, são de um azul claro, capaz de deixar qualquer pessoa meio desconcertada. Qualquer pessoa, menos a mim. Sim, sei quem ele é. Faz parte da Sociedade e apenas está aqui para me fazer mal.

- Onde é que eu estou? – pergunto, sentindo a minha voz demasiado baixa e fraca devido a ter estado demasiado tempo sem falar.

A gargalhada que sai por entre os lábios dele, é alta e irónica. – Foste apanhada. – diz apenas com uma voz grossa e muito mais alta do que a minha.

- Os… os meus amigos? – pergunto, apenas numa tentativa de saber se eles conseguiram fugir ou se foram apanhados, tal como eu.

- Conseguiram escapar, mas em breve, estarão aqui, tal como tu. – a sua voz fria faz-me arrepiar e tento afastar-me mais quando ele diminui a distância que nos separa. No entanto, não me consigo afastar, já que neste momento o meu corpo se encontra já colado à parede atrás de mim.

Ele agarra o meu braço, fazendo-me levantar de repente, e sinto-me vacilar um pouco, pois mal tenho força nas pernas para me aguentar de pé.

- O que é que estás a fazer? Onde é que estou? Onde me vais levar? – as perguntas não param de sair da minha boca à medida que ele me puxa em direcção à porta daquela divisão. – Estás a magoar-me! – resmungo devido às dores que ele está a provocar no meu braço, devido a estar a apertar este com uma força desnecessária. Por mais que eu quisesse fugir, nunca o iria conseguir fazer no estado em que me encontro neste momento. Bastava-me dar um passo, que era logo apanhada por ele.

Ele pára abruptamente de andar e olha para mim, fixando o meu rosto de tal maneira que me faz engolir em seco.

- Se não calares a merda da boca, juro que te ponho de novo inconsciente. – ameaça, num tom de voz demasiado sério.

Fecho a minha boca, decidida a não dizer mais nada, enquanto ele continua a puxar-me dali para fora. A casa está completamente às escuras e mal consigo ver por onde passo. Apenas me apercebo que estamos na rua, quando ele abre uma porta e logo os meus olhos são invadidos por uma enorme claridade. Demoro algum tempo a habituar-me à mesma, e quando isso acontece, ele abre a porta de um carro, de cor negra, e empurra-me lá para dentro. Entra juntamente comigo e logo depois o carro começa a andar. É outro que está a conduzir e eles nem sequer trocam uma palavra. O silêncio reina dentro daquele carro e eu apenas consigo ouvir a minha respiração. Pois é a única que está mais acelerada, visto ser eu a única que está com medo de algo ali dentro.

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