Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

More than words.

More than words.

Another Life - 3

 

A viagem de carro não dura mais do que uns minutos, no entanto, para mim dura uma eternidade. Sinto-me inquieta e só me apetece começar aos gritos, tentando pedir ajuda a alguém que vá passando pelas ruas em que o carro está a passar. Mas sei que não o posso fazer, não só porque a minha voz nunca seria suficientemente alta, mas também porque no fim iria acabar por me arrepender de o fazer. Olho de canto para o rapaz que está ao meu lado, aquele que me raptou, e fito o seu rosto. Tem uma expressão bastante séria, fazendo-o parecer mais velho do que realmente é. O seu maxilar saliente torna-o bastante atraente assim como os seus olhos azuis, mas frios e cheios de ódio. Ódio por mim e por todas as pessoas que são como eu.

Sei que há muitos como eu no mundo, mais do que eu possa imaginar, talvez, e sei também que eles querem acabar com todos nós. Eles querem tirar todos os nossos poderes e estão, por isso, a tentar arranjar uma espécie de medicamento, que sendo injectado em nós, nos tira de imediato os poderes. Provavelmente apanharam-me com a intenção de me usarem como cobaia para as suas experiências. Vão usar-me até conseguirem aquilo que querem.

 

Gemo com as dores assim que depois do carro parar, o rapaz me agarra de novo no braço, e de forma meio bruta, me tira para o exterior do veículo. Cambaleio um pouco, tropeçando nos meus próprios pés, à medida que ele me puxa para o interior de um enorme edifício. Sei que edifício é este, visto já antes ter passado nesta zona. É onde eles trabalham, onde eles fazem o seu trabalho em laboratórios. Aos olhos das outras pessoas, aquilo é um local normal, como tantos outros ali existentes, mas eu sei que é também ali que eles se escondem e tentam destruir a minha espécie. Têm todos os materiais necessários para fazerem novas fórmulas e é por isso que, no fundo, nós somos vulneráveis, visto não termos mais nada para além dos nossos poderes. Isso e o facto de termos amigos, coisa que eles não tem.

Começamos a andar pelos corredores, e sinto-me completamente perdida, pois não faço ideia para onde ele me está a levar.

- Cameron, conseguiste apanhá-la? - olho para o lado, quando oiço uma voz feminina, a qual tenho a certeza estar a dirigir-se para o rapaz que está comigo. Cameron, é este o nome dele. A rapariga que fala com ele, é também bastante nova, os seus cabelos são loiros e um pouco curtos, com uns jeitos ondulados. Os seus olhos, grandes e castanhos, fixam-se em mim e olham-me como se eu não fosse normal.

- Sim, apanhei-a, Marla. Faltam os outros, mas esta já é melhor do que nada. – diz ele, muito seriamente. – Tenho de a levar para a sala, depois falámos.

Não trocam nem mais uma palavra, apesar de eu até desejar que o fizessem, para assim eu tentar descobrir algo sobre o que se irá passar comigo a seguir.

Sou de novo puxada, e depois de percorrermos mais uns quantos corredores, entrámos numa pequena sala. Os objectos lá existentes, são muito poucos, apenas tem alguns armários, assim como um sofá grande, e pouco mais do que isso. Apercebo-me de que é ali que vou ficar, quando o Cameron me empurra para o sofá, fazendo-me cair em cima do mesmo.

- O que é que me vão fazer? – pergunto, quando consigo pôr-me direita e olho para ele.

- Espera e verás. – responde-me simplesmente, sempre no mesmo tom de voz e depois afasta-se até à porta, saindo para o exterior.

- Não me deixes aqui! – grito bem alto, mas sei que ele já não me consegue ouvir, pois, por esta altura já deve ir bem longo no corredor. Sei que de nada me serve gritar ali dentro, pois as únicas pessoas que me conseguem ouvir, são aquelas que me querem mal, e nenhuma, jamais, me iria ajudar. 

10 comentários

Comentar post