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More than words.

More than words.

Another Life - 7

Assim que consigo levantar-me, deixo logo o meu corpo cair em cima do sofá. Está todo dorido, como estava no dia em que aqui cheguei, ou seja, ontem. Será que nunca mais vou saber o que é não sentir dores?

- Obrigada… - murmuro baixo, quando por fim olho para Cameron, que se aproximou mais de mim. Sigo com o olhar todos os seus movimentos, que não são muitos e dou por mim e encolher-me toda, como que a proteger-me. Bem, sei que ele não me irá magoar, e para falar a verdade, no meio destas pessoas todas aqui dentro, tenho quase a certeza que só poderei confiar nele, visto que é o único que não parece tanto querer magoar-me. Tirando a vez em que me raptou. Mas acho que ele só faz todas essas coisas por obrigação e que no fundo odeia estar ali dentro e trabalhar ali. Sim, sei que isto pode não passar de coisas da minha cabeça, visto que estou tão desesperada por encontrar alguém que me possa ajudar. Neste momento lembro-me dos meus amigos e de como tinha estado tão perto de conseguir falar para eles, um suspiro sai por entre os meus lábios e “desperto” quando oiço a voz de Cameron.

- Vou arranjar-te umas roupas lavadas para vestires. – ele encolhe os ombros com uma expressão meio confusa e depois abana a cabeça. – Anda. – segura o meu braço, mas em vez de o puxar, como é habitual, ele apenas espera que eu me levante sozinha. Faço isso e deixo que ele me guie para a saída daquele quarto. Olho de canto para ele, que caminha com cuidado por entre as pessoas que vão surgindo no corredor e apenas parámos quando chegámos em frente de uma sala. Não sei como não se perdem ali dentro, aquilo está cheio de corredores todos iguais, assim como imensas portas, também iguais. Acho que mesmo que tente fugir daqui, nunca irei encontrar a saída, pois nunca saberei qual das portas é a que dá para a rua.

Cameron abre a porta e chama por Marla, a rapariga com quem ele falou quando cheguei ali. Esta logo vem ter connosco, olhando-me um pouco confusa.

- Arranja-me umas roupas tuas, por favor. – pede Cameron e ao fim de uns minutos ela volta com algumas peças de roupa. Começamos a andar de novo, e paramos quando chegamos a umas portas, que têm ao lado os símbolos de homem e mulher, fazendo-me assim saber que estamos nas casas de banho.

- Tens dez minutos. – avisa Cameron depois de abrir a porta e me fazer entrar lá dentro. Fecha a porta de novo deixando-me assim sozinha dentro daquelas quatro paredes.

Suspiro e retiro as minhas roupas que estão sujas de terra e sangue, olho o meu rosto no espelho e por momentos nem sequer me reconheço. Os meus cabelos estão todos fora do lugar e parecem meio húmidos. Os meus olhos, castanhos, parecem maiores que o costume e também mais vazios, assim como os meus lábios que estão sarapintados de sangue. Todo o meu rosto tem vestígios de sangue, para dizer a verdade.

Abro a torneira, recolho alguma água com as mãos, passo a mesma pelo rosto e pelas partes do meu corpo que estão sujas. De seguida visto as roupas, que pertencem a Marla e respiro fundo, tentando manter-me calma. Só me apercebo que os dez minutos já passaram quando a porta se abre. Podia jurar que apenas se tinham passado uns dois minutos.

Deixo que Cameron me leve pelos corredores, de novo para a sala onde tenho estado habitualmente, ele nada diz quando sai e me deixa ali sozinha. Dou por mim a querer que ele fique ali dentro comigo, devido ao medo que tenho de alguém aparecer para me fazer mal. Não sei porquê, mas agora só ao lado de Cameron me sinto mais ao menos protegida. Eu sei que não devia ser assim, porque afinal ele faz parte da Sociedade, e por muito que ele possa não gostar de estar ali, a verdade é que está e unicamente para me fazer mal, não só a mim mas a todos os da minha espécie.

 

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