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More than words.

More than words.

Fragile - 1 |mudanças

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Cerrei os meus punhos nas mantas que me cobriam, e com um só empurrão, afastei-as todas para trás, fazendo-as ficar aos pés da cama. Os meus olhos reviraram-se quando ao abri-los a primeira coisa que vi foram as paredes brancas e nuas do meu novo quarto. Era apenas a minha terceira noite aqui, mas eu já estava farta de olhar para aquilo demasiado branco. Já tinha imposto a mim própria uma nota mental de como teria de decorar aquele quarto de acordo com os meus gostos, mas a minha preguiça tinha-me levado a ainda não ter feito absolutamente nada em relação a isso. Mas bem, não seria agora que iria tratar disso, porque o meu primeiro dia de aulas na escola daquela cidade tinha início hoje. Até me apetecia pôr a pé em cima da cama, saltar e festejar o dia maravilhoso que teria pela frente, mas não ia fazer nada disso, porque, bem, o meu dia iria ser tudo menos maravilhoso.

A voz do meu pai começou a fazer-se ouvir, num alto protesto de como eu iria chegar atrasada se não estivesse pronta nos próximos cinco minutos. Isto apenas me fez revirar os olhos, não devido ao pouco tempo que tinha, mas sim devido à repentina preocupação do meu pai.

Assim que saí da cama, percorri a curta distância que me separava do roupeiro, abri o mesmo e retirei do seu interior umas das minhas calças de ganga justas, uma t-shirt com uma qualquer frase rabiscada e o meu casaco de cabedal. Atirei a roupa para cima da cama, e saí do quarto, entrando na casa de banho para tratar da minha higiene pessoal. Gastei poucos minutos nesta tarefa e voltei de novo ao meu quarto, deslizei as roupas que havia escolhido pelo meu corpo e seguidamente calcei as minhas velhas vans que me acompanhavam para todo o lado. Não dediquei muito tempo ao cabelo, porque não achava necessário e quanto à maquilhagem, apenas dispensava zero minutos ou segundos da minha vida a isso. Pois, eu não me maquilhava.

Arrastei-me pelas escadas abaixo, até à cozinha onde o meu pai já estava a tomar o seu pequeno-almoço.

- Bom dia. – murmurei no meu habitual tom de voz matinal, aquele que mostrava que eu ainda não estava completamente acordada. Dirigi-me até aos armários e procurei nos mesmos os cereais, que deviam estar por ali algures… o problema de mudar de casa, era mesmo depois ter de aprender de novo onde todas as coisas se encontravam. Às vezes ainda achava que estava numa casa que não era a minha.

- Bom dia. – a voz do meu pai fez-se ouvir e depois de aclarar a garganta, ele continuou a falar. – Como é que vais para a escola?

- Hm vou no meu carro topo de gama, aquele que me ofereceste quando eu tirei a carta de condução, lembraste? – falei enquanto vertia leite num chávena e de seguida juntei os cereais.

- Ironias agora não, Ruby. – o meu pai protestou e eu apenas revirei os olhos.

Há umas coisas que têm de saber: eu não tenho a carta de condução e muito menos um carro topo de gama. Era bom, não era? Mas os meus pais nunca me deixaram tirar a carta, apesar de eu já ter dezassete anos, e idade para tal. A desculpa deles, é que eu seria um grande perigo na estrada. Mas que pais motivadores que eu tenho.

- Posso levar-te, se quis…

- Não pai, eu vou de autocarro, deixa estar. – interrompi-o e um breve sorriso, meio falso, apareceu nos meus lábios. Não queria mesmo nada chegar à escola no carro a cair de podre, que o meu pai tinha conseguido comprar a um bom preço mal chegámos a esta cidade de treta.

Ok. Estou sempre a queixar-me de tudo, eu sei, mas a minha vida está cada vez pior. Não bastava ter de mudar de cidade, como tinha também de viver numa casa com menos de metade das condições que eu tinha na minha antiga casa. Depois de os meus pais se divorciarem, há cerca de três anos atrás, a estúpida da minha mãe tinha ficado com tudo o que os meus pais tinham, menos comigo. Mas acho que ela não se importou, porque eu sei que ela não me queria. Deixou o meu pai, com os bolsos vazios e uma filha como eu para cuidar. Às vezes, até eu própria tenho pena dele.

A minha chávena ficou vazia num instante, pois eu rapidamente comi os cereais e bebi o resto do leite que ficou na chávena depois de todos os cereais terem sido comidos.

- Até logo. – despedi-me do meu pai e comecei a avançar em direcção à porta.

- Não te esqueças de tratar daquelas coisas… E porta-te bem.

- Sim, eu sei. – revirei os olhos, eu não era um exemplo de pessoa a seguir, nunca fui, e era por isso mesmo que o meu pai teimava em dizer aquelas palavras. Como se tivessem qualquer efeito em mim. Passei pela sala, apenas para pegar na minha mochila que se encontrava pousada num dos sofás. Assim que saí para a rua, fiz uma careta, devido a algumas gotas de chuva que começavam a cair. Eu odiava a chuva, era molhada e.. e irritava-me profundamente. Bem, também não gosto muito do sol, para ser sincera, mas ainda consigo suportá-lo melhor.

Arrastei-me até à paragem dos autocarros, que se situava ao fundo da rua onde eu agora vivia, e os meus pensamentos estavam todos concentrados no lugar para onde eu me iria dirigir depois de entrar no autocarro. A escola, aquele sítio horrível do qual quase ninguém gosta. Ainda por cima, eu vou começar as aulas cerca de um mês depois de estas já terem começado. Palmas para a minha vida escolar, que vai começar de uma forma maravilhosa, comigo a ser a nova aluna de cabelos cor-de-rosa.

 

Antes de mais, não se esqueçam de ler o que postei ontem!

Aqui está o primeiro capítulo! Ainda é só uma introdução, para vocês conhecerem a personagem principal: a Ruby, e um pouco da vida dela. Espero que tenham gostado!

Deixem-me avisar que os capítulos iniciais não são muito grandes (mas mesmo assim todos são maiores que os da história anterior ahah), porque ao inicio eu ia fazê-los pequenos, mas depois mudei de ideias, e portanto os capítulos vão aumentando de tamanho.

Até quarta! Beijinhos

 

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