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More than words.

More than words.

Fragile - 10 |onde está o James?

Sad girl.

 

Na manhã do dia seguinte, o barulho da chuva a cair foi o meu despertador. Batia contra a janela do meu quarto, impedindo assim as minhas várias tentativas de voltar a adormecer. Mas será que nesta cidade chove dia sim dia não? Bufei para o ar e sentei-me sobre a cama, esfreguei os olhos e depois de um bocejo sair da minha boca, levantei-me e dirigi-me à casa de banho. Tratei da minha higiene pessoal e quando voltei a entrar no quarto, retirei umas roupas ao acaso do meu roupeiro. Nunca me tinha preocupado muito com a minha maneira de vestir, gostava de usar roupas simples e que não dessem muito nas vistas, com todos aqueles acessórios estranhos. Para mim, quanto mais simples melhor.

Entrei depois na cozinha, e dei graças por o meu pai hoje já não estar em casa. Dispensava ter a sua companhia, pois tinha a certeza que ainda iria chatear-me com o facto de eu ter faltado ontem. O meu pequeno-almoço foi apenas um iogurte, o qual eu bebi em apenas uns segundos. Abandonei depois aquela divisão e saí de casa. A chuva continuava a cair, se bem que agora era com muito menos intensidade, coloquei o capuz do meu casaco na cabeça e corri até à paragem do autocarro.

 

Assim que entrei no enorme edifício da escola, comecei de imediato a percorrer os longos corredores, determinada a encontrar uma certa pessoa, para a poder matar com as minhas próprias mãos. Ele ia ouvir tantas!

- Ruby? – ouvi uma voz chamar-me e olhando na direcção daquele som, avistei a Victoria que me acenava, ao mesmo tempo que sorria para mim.

- Agora não posso. – disse simplesmente e continuei a andar, deixando-a com uma cara confusa a olhar para mim. Tinha coisas a tratar antes.

Não conseguia avistá-lo em lugar nenhum, por isso, dirigi-me ao seu amigo, o tal de Edwin. Encontrava-se em frente ao cacifo, a remexer em algo que tinha lá dentro. Ele parou de repente o que estava a fazer, e com um pequeno estrondo, fechou rapidamente a porta do seu cacifo. A sua atenção voltou-se para mim, e eu sabia que ele já sabia quem eu era. Claro que o James já lhe devia ter falado bastante sobre mim, e com certeza, não teriam sido coisas boas.

- Onde está o James? – perguntei logo, de forma directa e sem rodeios. Não estava com paciência para tal.

- Eu não sei. – ele encolheu os ombros. – Ainda não deve ter chegado, mas porquê? Pensei que era ele quem andava sempre atrás de ti, e não o contrário… - um pequeno sorriso de gozo surgiu nos seus lábios e naquele momento só me apeteceu dar-lhe uma chapada, devido ao facto de ele estar tão parecido com o James.

Limitei-me a virar-lhe costas, depois de lhe mostrar o dedo do meio. O que o deixou com cara de parvo a olhar para mim. Eu adoro ser má, é tão divertido.

Coloquei-me junto à porta de entrada da escola, porque a qualquer momento ele deveria chegar, e iria passar por ali, pois era por ali que todos entravam naquele edifício. Um sorriso apareceu nos meus lábios, quando por fim o avistei a caminhar de forma descontraída em direcção à porta. Devo dizer que ele se destacava de entre todas as pessoas que ali estavam.

Agarrei-lhe, de forma repentina no braço, quando ele ia a passar por mim, e de seguida empurrei o seu corpo contra a parede que se encontrava ao lado da entrada.

- Porque é que fizeste aquilo oh idiota? – berrei junto à sua cara, deixando-o encurralado entre a parede e o meu próprio corpo.

- Uau nunca fui assim recebido ao chegar à escola…

Ele começou a falar, mas logo o interrompi.

- Porque é que ligaste para a minha casa e falaste com o meu pai? Mas tu passas-te da cabeça ou quê? – continuei a falar, sentindo a irritação toda que eu tinha a apoderar-se novamente de mim. Aquela cara de anjinho e de idiota-que-não-parte-um-prato estava a irritar-me profundamente.

- Ou quê… - ele murmurou, de maneira a gozar comigo, e quando abri a boca, preparada para voltar a resmungar, ele falou de novo. – Calma, calma… não precisas de ficar assim. Nem foi nada demais… apenas te fiz um favor… - ele mordeu o seu lábio inferior, prendendo o mesmo por entre os seus dentes.

- Um favor? – dei uma gargalhada e fiquei séria logo no instantes depois. – E como arranjaste o número?

- Claro. Se não fosse eu a ligar, seria o director, por isso… - ele encolheu os ombros. – Oh, isso foi bastante fácil. Basta ter uma cara bonita que tudo se consegue, Ruby.

- És mesmo estúpido. Não tinhas nada que ligar-lhe! – protestei e empurrei-o, apesar de isso não ter qualquer efeito, visto que ele já estava encostado à parede.

- Não sejas assim. Olha, o teu pai até gostou bastante de mim. Disse que precisavas de fazer amigos por aqui, e estava satisfeito por já teres feito um e até me convidou para...

- Cala a merda dessa boca! – retorqui, bastante alto, já farta de ouvir as suas tentativas de me provocar e me deixar ainda mais chateada do que eu já estava. – Fica a saber que agora odeio-te ainda mais do que antes.

- Ai sim? – aquele estúpido sorriso estava de novo nos seus lábios. O típico sorriso que ele devia usar a toda a hora para conquistar as raparigas, se bem que, de certeza, ele nem precisava de fazer nada para que elas ficassem conquistadas. Senti de repente as suas mãos na minha cintura, apertando ligeiramente a mesma, e no instante seguinte, quem estava encostada à parede, era eu e não ele.

- Sim! – gritei na sua cara e tentei depois afastá-lo de mim e retirar as suas mãos da minha cintura, visto estas ainda se encontrarem lá. – E é bom que me largues já se não…

- Se não o quê? – ele pergunta, a sua respiração bate no meu rosto, o que me faz querer espetar a minha mão na sua cara, deixando assim a sua bochecha bem marcada com o formato dos meus dedos.

- Juro que se não me largas de uma só vez, te vais arrepender… - proferi, de forma calma, enquanto olhava para ele.

- Hm, estou à espera então. – ele encolheu os ombros e o facto de se ter encostado ainda mais a mim, só me deu a certeza de que ele não se ia afastar assim tão cedo.

Abanei a cabeça. – Depois não digas que eu não avisei. – sim, porque eu não era rapariga de ameaçar e não fazer nada. Eu ameaçava e fazia. Elevei o meu joelho, dando-lhe assim uma joelhada naquele sítio que vocês estão a pensar. Ele afastou-se logo de mim, levando lá as mãos enquanto se queixava e me olhava com cara de quem me queria matar.

Apenas lhe pisquei o olho. – Espero que esteja a doer bastante. – retorqui, com um sorriso de gozo estampado no meu resto, de seguida virei costas, e a rir-me sozinha, fui embora dali.

 

Espero que tenham gostado deste capítulo, porque eu adorei escrevê-lo! Posso dizer que nos próximos haverá muitas coisas entre os dois ^^

Beijinhos

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