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More than words.

More than words.

Fragile - 14 |festa

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Uma semana se passou entretanto, e para minha felicidade, as pessoas já não olhavam para mim como sendo a nova aluna. Já tinham arranjado um novo assunto qualquer para discutirem e inventarem boatos.

O principal assunto neste momento, era a grande festa que haveria no dia seguinte na enorme casa de um dos alunos. É claro que eu ia, não perderia uma festa por nada deste mundo, além disso estava mesmo a precisar de algo com que me divertir nesta nova cidade, a qual se começava a tornar um pouco aborrecida para uma pessoa como eu. Infelizmente, não tinha conseguido convencer Victoria a ir comigo, ela dizia não gostar nada daquelas coisas, e ao fim de umas tentativas, acabei por desistir. Ia sozinha e pronto.

 

A roupa que eu escolhi para vestir, foram uns calções de cinta subida, em conjunto com um top preto que eu tentei que não fosse muito decotado, mas que acabou por ser um pouco mais decotado do que eu pretendia, mas pronto. Calcei as minhas vans, como sempre, e depois de pentear os meus cabelos cor-de-rosa, saí de casa.

Tive de fazer o percurso todo a pé, isto porque, a) a estas horas da noite não há transportes públicos a circular, b) não tenho dinheiro para um táxi, c) não, nunca iria pedir ao meu pai dinheiro para o taxi, porque a resposta seria um redondo não e d) também não iria pedir ao meu pai para me levar, ele iria dar-me outro não. Ele começou a implicar por eu ir àquela festa, por isso já podem imaginar os nãos que eu ouvir.

Cheguei um pouco cansada, mas logo esqueci isso, quando vi aquela casa repleta de pessoas e o barulho da música que dava para ouvir da rua. Juro que não percebo como é que os vizinhos não se queixavam.

A porta estava aberta, por isso entrei no interior daquela mansão, que na verdade parecia pequena demais para tantas pessoas. Reparei em alguns olhares postos em mim mas ignorei todos eles, como sempre. As pessoas dançavam ao som da música por tudo quanto era lado, e por isso foi com alguma dificuldade que consegui passar por entre todos aqueles corpos. Todos tinham copos nas mãos, por isso perguntei a alguém onde estavam as bebidas, assim que fui informada, dirigi-me à cozinha, onde elas estavam e logo fiz uma careta quando vi Edwin, o melhor amigo de James. Peguei num copo e aquele rapaz avistou-me, sorrindo logo na minha direcção. Sempre que me via lá na escola, ele tentava falar comigo, ou melhor, falava sempre comigo sobre alguma coisa relacionada com James. Como se isso me interessa-se para alguma coisa.

- Olá princesa. – ele falou ao meu lado, enquanto eu enchia o meu copo com uma bebida qualquer.

- Adeus. – disse apenas e virei costas de seguida, já com o meu copo na mão.

Voltei a meter-me no meio das pessoas e deixei-me depois levar pela música. Preparava-me para gritar, quando senti umas mãos segurarem a minha cintura, pois tinha quase a certeza de que seria James. No entanto não era. Claro que isso não me impediu de gritar com o pobre rapaz, fazendo-o fugir logo de mim.

Continuei a beber a minha bebida, dirigindo-me de seguida por várias vezes até à cozinha, para encher o meu copo, admito que já tinha bebido um bocado mais do que devia.

- Mantem-te afastada do James. – alguém gritou no meu ouvido, quando eu estava já de novo a dançar, eu olhei para trás, para ver quem tinha falado comigo. Revirei os olhos ao ver uma rapariga loira, alta, bastante magra e feia que me olhava como se me quisesse matar ou algo do género.

- É todo teu. – disse apenas e virei-lhe costas, continuando a dançar ao som da música estridente que estava a tocar naquele momento. Não sei se ela disse mais alguma coisa ou não, porque deixei de prestar qualquer atenção à sua presença.

- Quem era aquela? – alguém falou de novo ao meu ouvido, e desta vez, mesmo sem olhar, eu percebi que era James. Virei-me na sua direcção antes de falar.

- Uma qualquer que pensa que és o cãozinho dela. – ri do que tinha dito e encolhi os ombros. – Quer dizer, acho que ela já acha que és mesmo.

Ele olhava-me confuso e eu tive de lhe dizer, de forma lenta, o que ela me tinha dito. Só ai ele percebeu as minhas palavras, e acabou por soltar umas gargalhadas.

- Devias comprar uma trela, para elas te amarrarem e depois cada uma ficava contigo num dia da semana. – levei o meu copo aos lábios, bebendo o resto do seu conteúdo.

- Não estás a beber demais? – James perguntou, e desta vez quem riu fui eu.

- Isso interessa? – perguntei tentando conter a minha vontade de me rir, e afastei-me um pouco dele, continuando a dançar ao som da música. James voltou a aproximar-se, colocando uma das suas mãos no meu braço, puxando-me assim para mais perto dele. Olhei na sua direcção, adoptando agora uma expressão mais séria.

- Lá porque estou bêbada, não quer dizer que te odeie menos. – avisei-o.

- Pelo menos admites que estás bêbada. – retorquiu, sem me largar. – E sim, eu sei disso. O teu ódio por mim é mais forte do que tudo o resto. – ele falava, mas no seu rosto estava sempre presente a mesma expressão de gozo e o seu típico sorriso.

Fiz com que ele largasse o meu braço, e olhei para lá das pessoas vendo Edwin. – O teu amigo está a chamar-te. – disse para James, e quando ele olhou para trás, eu aproveitei para me meter por entre as pessoas e afastar-me dali.

Comecei a rir quando entrei na cozinha, e voltei a encher o meu copo, com uma outra bebida qualquer. Eu já tinha experimentado uma grande variedade de bebidas, e por isso mesmo, eu não entendia como estava ainda a aguentar-me em pé. Comecei a rir-me às gargalhadas, quando deitava metade da bebida dentro do copo e a outra metade caia no chão.

Assim que o copo ficou cheio, voltei para a sala, onde um maior grupo de pessoas se encontrava. Vi umas raparigas a dançar em cima do sofá, e decidi juntar-me a elas, apesar de me ter arrependido um pouco logo de seguida de o fazer, quando me apercebi que ali em cima tinha demasiada atenção dos rapazes, que teimavam em tocar-nos e tentar pegar em nós, para nos levar sabe-se lá para onde. Mas eu estava já tão bêbada, que naquele momento não me estava a importar com nada, apenas me queria divertir.

- Ruby! – alguém me agarrou pelas pernas e eu mexi-me toda numa tentativa de aquela pessoa me largar.

- James! Só podias ser tu, deixa-me em paz. – protestei e deixei o meu copo sobre uma mesa, quando passávamos pela mesma, com ele ainda a segurar-me pelas pernas.

Já chega, não achas? – ele falou.

 

Espero que gostem do capítulo e que estejam a gostar da história. Beijinhos

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