Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

More than words.

More than words.

Fragile - 16 |atracção

largej.jpg

 

O fim-de-semana rapidamente chegou ao fim e na segunda-feira seguinte, acordei, uma vez mais, com a chuva a embater na minha janela. Acho que tinha mesmo de começar a habituar-me ao tempo chuvoso daqui, pois não tinha outro remédio. Levantei-me da cama e depois de me arranjar desci para o andar de baixo. O meu pai já tinha saído de casa, pois hoje começava a trabalhar e segundo ele, tinha de começar logo a causar boa impressão pois só assim conseguiria manter o emprego. E isso era algo essencial, pois nós precisávamos mesmo do dinheiro. 
O telefone começou a tocar, e depois de me dirigir para perto do mesmo, decidi que não ia atender, quando reconheci aquele número como sendo o da minha mãe. Não estava com paciência para ela e para as suas falsas preocupações. 
Tive de correr até à paragem do autocarro, devido à chuva que não parava de cair.

- Como correu a festa? - perguntou-me Victoria, ou Vic, como eu lhe tinha começado a chamar. Ela viu-me entrar na escola e veio de imediato ter comigo. Posso dizer que somos amigas, pois é com ela que passo o meu tempo aqui na escola. Ela mostra-se sempre simpática para mim e eu faço de tudo para ser também simpática para ela. É a única pessoa que merece a minha simpatia, para dizer a verdade.

- Correu bem, eu acho. - encolhi os ombros e continuei a andar pelo corredor em direcção ao meu cacifo. Ela seguia sempre ao meu lado, tentando saber mais coisas. 

- Estava muita gente?

- Sim, estava imensa. Devias ter ido. - olhei para ela e sorri-lhe levemente.

- Oh, não me parece. Não gosto mesmo nada dessas coisas. - ela fez uma careta. - Prefiro ficar em casa a ler um bom livro. 

Ri do que ela disse e abri o meu cacifo, retirei de lá um livro de que ia precisar e suspirei ao ouvir a pergunta seguinte de Victoria. 

- O James estava lá? 

- Sim estava, e antes que perguntes, ele passou o tempo todo a chatear-me. 

Uma gargalhada saiu por entre os seus lábios. - Eu acho que ele gosta de ti...

- Ele gosta de todas, lembra-te disso. - ri de leve não dando importância ao que ela disse, pois

eu sabia não ser verdade. 

- Sim mas... Ele anda sempre atrás de ti agora. E... Esquece, apenas tem cuidado, por causa

daquilo que eu te contei no outro dia...

- O boato? É apenas um boato, Victoria. 

- Não sabes, Ruby. - ela estava sempre com uma expressão demasiado seria quando falava deste assunto, o que tornava as coisas um pouco assustadoras, no entanto, eu continuava a achar que aquilo era apenas um boato. Seria um bocado estranho se fosse verdade. 
Fechei o meu cacifo e depois seguimos pelo corredor para a nossa próxima aula que seria escrita criativa. Que James também tinha, para grande surpresa minha. A professora, que era um bocado estranha, devo admitir, disse-nos que teríamos de escrever um pequeno texto sobre o significado da vida para nós. O texto iria começar a ser escrito na aula e poderíamos depois terminar o mesmo em casa. Fiquei uns minutos a olhar para a folha branca do meu caderno, sem saber o que escrever, por isso, fechei o caderno e voltei a minha atenção para os outros alunos. Todos estavam a escrever como se as palavras saíssem naturalmente, e as minhas também deveriam de sair, mas bem, só saiam quando eu não estava a ser obrigada a tal. Victoria estava toda concentrada, de caneta na mão a escrever no seu caderno e James, por mais estranho que fosse acreditar nisso, estava igualmente concentrado naquilo que estava a fazer. 

Um suspiro de alívio saiu por entre os meus lábios quando soou o toque da campainha e pude finalmente arrumar as minhas coisas e levantar-me. Antes de sair da sala, recebi uma chamada de atenção da professora, dizendo que tinha reparado que eu passei a aula sem nada fazer e que esperava que na próxima aula eu tivesse o meu texto escrito, caso contrário, estaria metida em sarilhos. Todos ficaram a olhar para mim e eu apenas me limitei a virar costas e sair da sala. 

 

As outras aulas da manhã correram com normalidade e quando a hora de almoço chegou, dirigi-me ao refeitório na companhia de Victoria. Estava agradada por termos várias aulas juntas, já que assim não tinha de andar a vaguear sozinha por aquela escola. Pegamos cada uma no seu tabuleiro e colocamos no mesmo os utensílios que iríamos precisar assim como a comida. 
- A nossa mesa está ocupada. - protestei. Nos tínhamos uma mesa na qual costumávamos almoçar as duas juntas, mas hoje, essa mesma mesa estava ocupada por outras pessoas. 
- Oh... Teremos de procurar outra. - falou Victoria, começando de seguida a olhar em volta. 
- Creio que não teremos sorte. - resmunguei ao constatar que não havia nenhuma mesa completamente vazia. Não sei qual era a ideia de fazerem aquele espaço tão pequeno para tantos alunos, mas enfim. 

Os meus olhos acabaram por encontrar os de James, que sorria, pois já se tinha apercebido que não conseguíamos arranjar mesa. Quando Edwin percebeu o mesmo, acenou para nós, como que a chamar-nos para nos sentarmos com eles. 

-Eu não vou. - disse prontamente a minha amiga. 

- Vens sim. Não quero comer em pé. - protestei. - Anda. - comecei depois a andar em direcção àquela mesa. 

Pousei o meu tabuleiro em frente de um lugar vazio, e Victoria colocou o seu ao lado do meu. Ambas nos sentamos em silêncio, e quando levantei de novo o meu olhar, pude ver que os dois rapazes nos fitavam atentamente.

- O que foi? – perguntei ao mesmo tempo que revirava os olhos.

- Nada. – disseram ambos ao mesmo tempo o que me fez voltar a revirar os olhos.

- Até falam em coro e tu. Quando vão assumir a relação? – perguntei, decidida a meter-me um pouco com eles.

Recebi uns olhares estranhos de Edwin e James apenas me fez uma careta, enquanto dizia um que piada de forma bastante lenta. Victoria bateu no meu braço, como se não estivesse agradada com as coisas que eu dizia. Mas era impossível para mim ficar calada, adorava meter-me com as pessoas, principalmente se uma dessas pessoas fosse James. Nas semanas que já se passaram desde que eu estou aqui, temos passado o tempo todo a implicar um com o outro. E quando ele tenta aproximar-se de mim, eu afasto-o de todas as vezes, numa tentativa de ele perceber de uma vez por todas que não sou como as outras raparigas, às quais ele está habituado.

- E tu, Ruby? Quando vais assumir que estás atraída pelo James? – perguntou repentinamente Edwin, o que me fez cuspir para o prato toda a comida que se encontrava na minha boca. Não era muito boa, por isso não interessava muito.

- Essa pergunta nem merece resposta. – retorqui, com um encolher de ombros. Não sei de onde ele tirava aquelas ideias estúpidas, mas talvez fosse das coisas que James lhe contava sobre mim. Ou melhor, inventava.

Ignorei o resto dos comentários dele, incluindo aqueles que eram ditos por James, que tinha, mais uma vez, decidido começar a meter-se comigo.

 

Espero que tenham gostado do capítulo! E para vocês ficarem curiosas, eu adoro o próximo capítulo ^^ e nesse vai ser referido algo em relação ao boato! Posso já dizer que está muito perto de vocês ficarem a saber se é verdade ou mentira. Beijinhos!

7 comentários

Comentar post