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More than words.

More than words.

Fragile - 17 |segredos

 

Passaram-se mais duas semanas até eu ter novamente a aula de escrita criativa. A professora tinha faltado nas aulas seguintes, devido a ter estado doente. E adivinhem lá? Eu não escrevi a porcaria do texto que a professora tinha pedido. Não sabia o que escrever, era tão simples quanto isso a minha explicação.

Deslizei o meu corpo pela cadeira, tentando fazer com que a minha presença não se notasse muito, mas eu sabia que isso seria completamente impossível, principalmente quando todos começaram a entregar os seus textos, e eu me deixei ficar sentada.

- O teu texto, Ruby? – perguntou aquela mulher, pela qual eu já tinha arranjado um pequeno ódio. Todos os olhares se dirigiram a mim, incluindo o de James que se encontrava sentado mesmo ao meu lado.

Ainda não tinha percebido o porquê de ele se sentar sempre ao meu lado nas aulas, aquelas em que tínhamos juntos, mas sinceramente não estava interessada em perceber. Ele continuava a chatear-me a toda a hora e tive de passar as semanas anteriores a levar com bocas vindas da sua parte, incluindo várias provocações. Também tinha de levar com Edwin, em que as suas provocações consistiam em querer fazer-me admitir que James não me era indiferente. Só me apetecia dar-lhe um estalo de cada vez que ele insinuava aquilo.

Victoria ficava sempre do meu lado, tentando defender-me, mas eu já tinha percebido que às vezes ela achava piada às coisas que Edwin dizia, e sabia que, secretamente, ela concordava com ele.

- Eu não fiz. – disse simplesmente, encarando-a.

- Não fizeste porquê? Era assim tão difícil escrever um texto? – perguntou, mas continuou a falar, antes de me deixar dizer o que quer que fosse. – Oh, espera lá. Se calhar não tiveste tempo de pensar nisso, porque deves passar o tempo a comportar-te com uma criança de cinco anos.

Aquelas palavras deixaram-me de boca aberta. Quem era ela para dizer aquelas coisas sobre mim? Levantei-me de forma rápida, fazendo a minha cadeira arrastar-se para trás, com algum barulho.

- Quer saber mesmo porque é que eu não fiz a porra do texto? – perguntei, com a minha voz um pouco mais elevada do que era suposto, mas eu estava-me a lixar para isso, queria que ela ouvisse bem o que eu dizia. - A vida não significa nada, absolutamente nada para mim. Nascemos, depois temos uma vida estúpida para acabarmos todos mortos. Por isso é que passo a vida a fazer porcarias, a meter-me em confusões, a faltar a aulas, a dizer directamente às pessoas aquilo que acho delas sem querer saber se as magoo ou não. Tento aproveitar as mínimas coisas de que eu gosto e que me dão prazer apesar de que acho que isso não interessa para nada. Vou acabar morta, de qualquer das maneiras. Só quero que o intervalo de tempo em que estou viva, sirva ao menos para eu me divertir. – comecei depois a recolher as minhas coisas, atirando-as para o interior da minha mochila. – E pode marcar-me falta. Isso é uma das coisas que não faz diferença nenhuma na minha vida. – passei de seguida por entre as cadeiras dos meus colegas de turma e sai da sala, tendo a atenção de bater a porta com força antes de sair.

Não sei porque tinha ficado desta maneira, porque tinha dado importância ao que ela achava de mim. Eu nunca me importava com a opinião das outras pessoas, fosse ela qual fosse.

Odiava sentir-me assim.

Saí para o exterior da escola e encostei o meu corpo contra uma das paredes, num local abrigado, visto estar a chover bastante hoje. Peguei no meu maço de cigarros e retirei um do seu interior, depois de o acender, levei-o aos meus lábios.

Não pretendia ir a mais nenhuma aula durante aquele dia, apenas queria ficar ali sozinha. Já sabia que iriam ligar ao meu pai, a informá-lo sobre tudo o que eu tinha feito, mas eu não queria saber disso para nada. Estava farta de toda a gente, só precisava de ficar sozinha. Esquecer tudo à minha volta.

Sentia o meu telemóvel vibrar na minha mochila, por várias vezes, mas ignorei todas elas, tinha a certeza que seria Victoria a mandar-me mensagens a perguntar onde eu estava, mas nem com ela eu queria falar.

 

Quando vi as horas, apercebi-me de que o dia tinha passado. Sim, as aulas já tinham todas terminado e eu devia estar neste momento na paragem, à espera do autocarro que me levaria a casa. Suspirei, e saí dali, começando a correr pela escola, tentando chegar à paragem o mais rápido que conseguia. Estava a chover como se não houvesse amanhã, e os curtos minutos que demorei a chegar à beira da paragem, que era mesmo em frente da escola, foram os suficientes para eu ficar completamente molhada. E também os suficientes para eu perder o autocarro. Suspirei pesadamente, sentindo que hoje estava num dia em que o azar tinha decido perseguir-me.

Como tinha de ir a pé para casa, comecei a andar, sentindo a chuva cair em cima de mim. Estava cheia de vontade de descarregar toda a minha raiva, apetecia-me gritar com o mundo, revoltar-me com tudo. Mas não podia fazer isso, teria de me controlar, porque eu era forte. Ou achava que sim.

Ouvi um carro parar ao meu lado, e suspirei quando me apercebi que era James, afastei os meus cabelos agora molhados para o lado e virei o meu rosto na direcção do carro, quando o vidro desceu.

- Eu levo-te a casa, desta vez não aceito um não como resposta. – ele falou e como eu estava farta de andar, estava molhada e completamente gelada, abri a porta do carro e entrei no seu interior.

Um arrepio percorreu o meu corpo, quando o ar quente entrou em contacto com a minha pele fria e passei os dedos pelo rosto, tentando limpar um pouco do excesso de água que estava no mesmo.

James pediu-me algumas indicações de como poderia ir para minha casa e eu dei-lhe as mesmas. Virei o meu rosto em direcção à janela, e limitei-me a ficar a ver a chuva bater no vidro. O silêncio reinava no interior do carro, e como é óbvio, eu não iria fazer nada para o quebrar. Mas James sim.

- Queres falar sobre o que aconteceu? – ele perguntou, referindo-se ao que se tinha passado na aula.

- Não.

- Concordo com tudo o que lhe disseste, sabes? – ele continuou.

- Eu não quero falar sobre isso. – virei bruscamente o meu rosto na sua direcção, podendo ver assim que os seus olhos esverdeados estavam focados nos meus.

- Às vezes é bom falar sobre as coisas que nos deixam mal…

- Não serias a pessoa que eu iria escolher para falar sobre isso. – protestei, sabendo que estava a ser demasiado bruta com ele. Mas hoje estava mesmo num dia não e a minha paciência estava abaixo de zero.

- Mas… - ele insistia em falar e por isso, eu disse aquilo que não devia mesmo dizer.

- Já que insistes tanto em falar, que tal falarmos de ti? – mantive os meus olhos focados no seu rosto. – Ou melhor, do facto de seres um violador. – atirei estas palavras para o ar e pude ver os seus punhos a cerrarem-se no volante.

 

Oh meu deus, eu adoro este capítulo! As coisas ficaram mais sérias neste capítulo, e agora vocês vão querer matar-me por eu acabar desta maneira, mas tinha mesmo de ser ahah! Como devem estar a imaginar, no próximo capítulo irão ficar a saber aquilo que tanto querem: se o boato é verdadeiro ou falso.

Beijinhos

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