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More than words.

More than words.

Fragile - 18 |revelações

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O facto de James ter ficado tão estranho com o que eu tinha dito, começava a deixar-me com sérias dúvidas em relação àquele assunto que eu pensava mesmo ser um boato. Será que eu tinha estado enganada todo este tempo?

- Onde é que ouviste isso? – foi a primeira coisa que ele me perguntou, depois de permanecer alguns segundos em silêncio.

- Ouvi na escola… - murmurei, e juntei os dedos das minhas mãos, mexendo os mesmos de forma distraída. Nem sabia se estava arrependida de ter dito aquilo, ou não, mas… bem, eu queria mesmo saber se aquilo era verdade ou não. E além disso, tinha sido a maneira que tinha arranjado para mudar aquela conversa, que estava centrada em mim. – É verdade? – acabei por perguntar, quando me pareceu que ele não ia dizer nada.

- Não tens nada a ver com a minha vida, ouviste? – as suas palavras, dirigidas a mim, eram bastante frias e ditas num tom de voz completamente diferente do qual ele costumava falar comigo. - Nem vais falar disso a ninguém. – ele continuou, desviando a sua atenção da estrada por um bocado.

Apercebi-me nesse instante que nos tínhamos desviado um pouco do caminho para minha casa, mas conclui depois que o mais certo, era James apenas querer prolongar a duração daquela viagem. Por isso mantive-me calada, em relação a esse assunto.

- Então é mesmo verdade. – não lhe perguntei, apenas constatei. Se não fosse verdade, ele iria limitar-se a rir e a dizer que era apenas um estúpido boato. Mas ao invés disso, ele estava a agir de forma oposta.

- Tu não sabes de nada, Ruby. Por isso é melhor fechares essa boca. – protestou e eu dei uma pequena gargalhada.

- Bem, acho que trocamos de papel. Agora viraste tu o mister simpatia. Estou apenas a perguntar-te se é verdade ou não. Custa assim tanto admitir as merdas que tu fazes, é? – perguntei, o meu tom de voz agora mais frio do que há pouco.

Os seus punhos cerraram-se com mais força no volante, deixando os nós dos seus dedos numa tonalidade mais clara.

- Não é verdade. Mas também não é completamente mentira. – ele falou, depois de mais uns minutos de silêncio no interior do seu carro.

Engoli em seco, surpresa pelo que ele tinha dito. Quer dizer, eu já estava mesmo a imaginar que não era um boato, mas ouvir directamente da sua boca, tornava as coisas mais… reais.

- Como? Porquê? – dei por mim a perguntar, meio confusa, e sem saber quais a perguntas certas a fazer. Apenas queria que ele continuasse a falar, e tinha medo que se me calasse, ele fizesse o mesmo.

A chuva foi a única coisa que se ouviu durante mais uns minutos, enquanto ele permanecia em silêncio, com o seu olhar atento, focado apenas na estrada. Conduzia pela cidade, apenas às voltas pela mesma, numa viagem que já devia ter terminado.

- Fui a uma festa com uns amigos, com vários amigos. Como deves imaginar, não faltava lá álcool, tabaco, drogas… essas coisas. – um suspiro pesado saiu por entre os seus lábios rosados, antes de ele prosseguir. Podia imaginar que na sua cabeça, ele estava a recordar o que tinha acontecido, as imagens passando em frente dos seus olhos, como se ele pudesse reviver novamente aquele momento. – A festa prolongou-se por várias horas, nós bebíamos como se não houvesse amanhã e bem… eu bebi tanto que já não sabia o que fazia. Estava de tal maneira bêbado que não me apercebi do momento em que alguém colocou droga na minha bebida. – ele olhou de relance para mim, como se quisesse verificar se eu estava a ouvi-lo. Mas é claro que eu estava, os meus olhos estavam mais arregalados do que o normal e a minha atenção estava toda colocada nele e nas suas palavras. – Haviam muitas raparigas, metia-me com praticamente todas elas e… eu não me lembro de como aconteceu exactamente, devido ao estado em que eu me encontrava mas… eu violei uma dessas raparigas. – ele engoliu em seco e eu dei por mim a morder de forma nervosa o meu lábio inferior, chocada com o que ele me estava a contar. – Foi só uma vez. Aquilo só aconteceu uma vez e foi porque eu estava completamente fora de mim. – os seus olhos estavam agora postos em mim, e só naquele momento me apercebi de que ele tinha parado o carro e estávamos assim parados na berma da estrada. – Nunca no meu estado normal eu iria fazer aquilo, por muito estúpido que eu possa ser.

Assenti um pouco com a cabeça, como que a dizer-lhe que entendia o que ele estava a dizer.

- Acreditas em mim, não acreditas? – ele perguntou, deixando-me surpresa com essa pergunta. A maneira como ele falava, era como se ele precisasse de ouvir da minha boca eu a dizer que acreditava. Como se aquilo fosse algo importante para ele.

- Sim, eu acredito. – e acreditava mesmo. Não sei porquê mas acreditava e de qualquer das maneiras, não havia motivos para ele me mentir sobre aquilo. Percebi que James pensava muito sobre aquele assunto, era algo que fazia parte do seu passado, mas continuava a persegui-lo no presente, quanto mais não fosse pelo facto de ser um assunto recorrente na escola. Era um boato, como todos pensavam, mas tal como Victoria me tinha dito uma vez, nem todos os boatos são mentira.

Ele voltou a pôr o carro a andar, começando de novo a conduzir pela estrada, desta vez na direcção certa para a minha casa.

- Não vais contar a ninguém, pois não? – ele perguntou de repente.

- Não. – podia ser muito má e estúpida e podia até não me preocupar nunca com as outras pessoas, mas bem, aquilo era uma coisa que apenas dizia respeito a James e eu não me iria meter.

Eu e James agora partilhávamos um segredo. E isso era estranho.

Ele apenas assentiu com a cabeça e continuou a conduzir, ambos estávamos em silêncio, e sei que nenhum de nós o pretendia quebrar.

- Eu fico aqui. – falei de repente e peguei na minha mochila, a qual tinha colocado aos meus pés.

- Mas não tem aqui nenhuma casa. – James estava confuso e eu suspirei.

- Eu vivo aqui perto, pára o carro. – pedi-lhe e ele assim o fez. Abri a porta e depois de murmurar um baixo obrigada comecei a andar. Suspirei, aliviada, quando ele arrancou e depois o seu carro desapareceu do meu campo de visão. Não me interpretem mal, eu não lhe pedi para parar o carro aqui, por ter medo dele ou algo do género, porque eu não tenho, mas apenas não quero que James veja a minha casa. A minha casa de pobre, pequena e meio velha no exterior, apesar do interior estar completamente remodelado. Mas não quero que ninguém da escola saiba onde é a minha casa e as condições em que eu vivo. Avancei pelas ruas, e bastou apenas uns dois minutos para eu entrar dentro de casa. Esta estava silenciosa e eu conclui então que o meu pai ainda não tinha chegado do seu novo emprego.

 

E aqui está o capítulo de que vocês tanto estavam à espera! Sei que não é o que queriam, e bem, eu não queria que o boato fosse falso, mas também não queria que fosse totalmente verdadeiro, então achei isto um bom "meio-termo". Espero que tenham gostado!

Beijinhos

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