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More than words.

More than words.

Fragile - 19 |podemos falar?

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- Nem imaginas quem trabalha comigo. – falou o meu pai de repente, quando no dia seguinte, sábado, ambos estávamos na cozinha a tomar o pequeno-almoço. Remexia os meus cereais quando ele falou.

- Quem? – perguntei confusa. Não tinha dormido muito bem durante esta noite, devido ao que James me tinha contado ontem. Era estranho e não percebia como todos os alunos da escola tinham ficado a saber daquilo. Ou talvez, essa rapariga tenha contado a alguém e esse alguém contou a outra pessoa. E pronto, era assim que as coisas se espalhavam.

- A Theresa. Eu já era para te contar à algum tempo, mas bem, acabei por me esquecer, entretanto.

- Quem é a Theresa? – perguntei, sem saber de quem ele estava a falar.

- Oh, a Theresa é alguém que eu conheci há muitos anos, sabes? Andamos juntos na escola quando eramos ainda uns adolescentes. – ele tinha um sorriso estúpido nos lábios, aquele sorriso que as pessoas fazem quando estão a falar de alguém de quem gostam mesmo muito. – Acreditas que ela foi a minha grande paixão de quando eu era adolescente?

Juro que neste momento me engasguei com os cereais que estava a comer, e foi por pouco que não os cuspi todos para cima da mesa. O quê?

- A sério? – foi a única coisa que saiu da minha boca, eu estava agora mais atenta naquela conversa deveras estranha.

- Sim, mas tu sabes… depois veio a faculdade e ambos seguimos caminhos diferentes. Nunca mais a vi, e depois apareceu a tua mãe. – o seu ar era agora mais triste, quando ele recordou a mulher que infelizmente era a minha mãe. – Soube agora que ela acabou por vir viver para esta cidade; o mundo é pequeno não achas? – ele estava de novo a sorrir imenso, mostrando-se bastante feliz por se terem reencontrado de novo. Deve ser muito emocionante quando reencontramos o grande amor da nossa vida anos depois de o perdermos. Pergunto-me se isso alguma vez irá acontecer comigo. Mas não deve acontecer, até porque nem sequer tenho alguém por quem me apaixonar.

Ao contrário do meu pai, que parece estar de novo apaixonado, e isso é estranho. Até o meu pai com a idade que tem, consegue arranjar alguém e eu, com apenas dezassete anos, contínuo sozinha e prevejo que isso se irá prolongar por bastante tempo.

Ele continuou a falar, provavelmente daquela mulher, mas a certa altura eu deixei de prestar atenção, apenas o ouvi dizer que ela também era divorciada. Continuei a comer os meus cereais e quando terminei, levantei-me e arrastei-me para o meu quarto, com a desculpa de que tinha de fazer alguns trabalhos de casa. Estava ainda admirada por não terem ligado da escola, a informar o meu pai do que eu tinha feito na aula de escrita criativa assim como o facto de eu ter faltado a todas as aulas do dia. Mas como agora estávamos em fim-de-semana, podia respirar durante estes dois dias, pois só na segunda-feira ele iria ficar a saber.

 

*

A segunda-feira chegou depressa demais, como sempre acontecia. Juro que não conseguia perceber o porquê de a semana serem cinco dias e o fim-de-semana apenas dois. Onde estavam as igualdades nestas coisas?

- Já ouviste falar da festa que vai haver na casa do James? – perguntou Victoria, assim que deu uma pequena corrida até mim e depois de me saudar com um animado bom dia.

- Não. – falei confusa e surpresa por saber daquilo. Quer dizer, mais ao menos surpresa, visto que as festas em casa dele deviam ser algo bastante comum.

- Acho que podíamos ir.

Arregalo os meus olhos e até paro de andar. A Victoria quer ir a uma festa? Mas o que é que se passou com ela? Devem tê-la raptado e substituído por uma rapariga fisicamente igual.

- Tu queres ir a uma festa? – as palavras saem da minha boca, ainda aberta devido ao espanto.

Os seus ombros encolhem-se ligeiramente e ela ajeita os óculos que mantem sempre postos. – Porque não? – ela pergunta, com um sorriso nos lábios.

Franzo a testa, ainda a tentar voltar ao meu estado normal. – Creio que não vai dar. Acho que vou ficar de castigo nos próximos tempos. – suspirei baixinho. – Por causa de sexta-feira passada… - expliquei, mesmo antes de ela perguntar.

- Por falar nisso, onde andaste na sexta? – ela perguntou, olhando para mim de forma bastante atenta.

- Oh, andei apenas por aí. – sorri levemente e recomecei depois a andar, com ela ainda ao meu lado. Não queria falar sobre aquilo, pensar naquele dia deixava-me toda melancólica.

- Hey, Ruby! – James gritou, mesmo atrás de mim e conseguia ouvir os seus pés baterem no chão pavimentado à medida que ele corria. – Podemos falar? – perguntou, ofegante, quando por fim me alcançou.

Suspirei e abanei a cabeça, depois de olhar para ele. Vestia umas calças de ganga escuras, assim como uma t-shrit num tom igualmente escuro. Não sei como ele não estava com frio, visto não envergar qualquer tipo de casaco. – Agora não, temos aulas ou estás a esquecer-te? – falei e continuei a andar.

- Mas é rápido. – ele protestou, andando sempre ao meu lado.

- Mais tarde, James. Não posso chegar atrasada às aulas, já estou demasiado lixada com estas coisas. – falei de forma rápida e acelerei depois o passo, chegando perto de Victoria, que entretanto se tinha afastado.

 

Não sei o que dizer, por isso pronto, espero que tenham gostado do capítulo! Beijinhos!

 

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