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More than words.

More than words.

Fragile - 2 |primeiro dia

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Fui, literalmente, obrigada a despir o meu casaco de cabedal, para pode abrigar um pouco a minha cabeça, devido ao facto de a chuva ter, de repente, começado a cair com mais intensidade. Poderia meter-me debaixo da paragem, abrigada, mas não sei o que se passa nesta cidade, que toda a gente deve ir de autocarro para onde quer que seja. Aquilo estava cheio de corpos amontoados, espremidos uns nos outros, de maneira a protegerem-se da chuva. Prefiro ficar aqui, do lado de fora, a levar com água em cima.

O autocarro não tardou a chegar, e logo me apressei a entrar no seu interior antes de todas as outras pessoas. Escolhi um lugar quase ao fundo, e tive a atenção de me sentar num lugar afastado das outras pessoas. Sim, sou bastante anti-social. Prefiro estar sozinha do que acompanhada por quem quer que seja.

Encostei a minha cabeça contra o vidro, e fiquei a olhar para o exterior, mais precisamente para as minúsculas gotas de chuva que iam escorrendo pelo vidro. Pareciam pequenas lágrimas, derramadas por alguém infeliz com a vida que tinha.

A viagem até à escola não foi muito demorada, felizmente a minha casa não ficava muito longe daquele lugar que eu dispensava conhecer. Até podia ir a pé, se quisesse. Mas eu não quero, demasiada preguiça em cansar as minhas pernas.

Saí de dentro daquele veículo e logo fui acometida pelo enorme barulho que aqueles jovens faziam, ainda era cedo, mas eles já estavam bem despertos. Vá-se lá saber porquê. Um suspiro saiu por entre os meus lábios e passei os meus esguios dedos pelo meu rosto, numa tentativa de limpar do mesmo a chuva que continuava a cair, entretanto.

O edifício da escola era bem maior do que aquilo que eu estava à espera. Era de pedra, provavelmente já com uns cem anos em cima e era rodeado por jardins e parques de estacionamento. Parques esses completamente cheios dos mais variados tipos de automóveis, como era de prever.

Comecei a andar, passando por todos aqueles corpos, que se juntavam em grupos, provavelmente para fofocar sobre as novidades que tinham chegado durante aquele fim de semana. Apenas parei de andar quando percebi que estava num local abrigado e foi apenas nesse instante que reparei na enorme quantidade de olhares que tinha postos sobre mim. Todos me olhavam como se eu fosse um extraterrestre vindo de um outro planeta qualquer. Ugh… até me irritavam. Ajeitei a minha mochila, que estava ao meu ombro e decidi ignorar todas aquelas pessoas, apenas tinha em mente o facto de que tinha de ir à secretaria tratar do resto das coisas necessárias para poder estudar ali. Eram apenas uns pormenores, nada demais.

Voltei a percorrer os corredores, sem saber ao certo para onde me dirigir, e foi unicamente por esse motivo, que decidi abordar uma rapariga que caminhava na direcção oposta a mim. Era ligeiramente mais baixa do que eu, os seus cabelos eram de um castanho claro e chegavam-lhe apenas aos ombros. Os seus óculos, demasiado grandes para o seu pequeno rosto, tornavam-na demasiado fofa.

- Hey, podes dizer-me onde é a secretaria? – perguntei, no tom de voz mais simpático e amigável que consegui arranjar. E olhem que é difícil eu falar para alguém desta maneira.

Os seus olhos, focaram-se de imediato em mim e a sua expressão foi bastante diferente daquela com que os outros todos me estavam a olhar. Era diferente, mas não melhor que os outros.

Ela ajeitou os seus óculos antes de falar.

- Eu… ahm… - ela começou a apontar em direcção a um corredor, do qual eu ainda não tinha dado pela existência. – Terceira porta naquele corredor… - retorquiu.

- Oh, obrigada. – agradeci e de imediato virei costas, para seguir as indicações que ela me tinha dado.

Parei em frente da porta da secretaria, depois de me certificar de que estava no sítio certo. O meu sentido de orientação não é muito bom, por isso não era de estranhar que mesmo com indicações precisas eu acaba-se por ir ter ao sítio errado.

Abri a minha mochila e retirei do interior da mesma os papeis que precisava de entregar à senhora que ali se encontrava. Eram três folhas, mas eu apenas permaneci com duas nas minhas mãos. A outra era uma carta, supostamente, a dizer que eu precisava de conversar com a conselheira escolar daquele estabelecimento, mas nem morta eu ia fazer isso a mim própria. Por isso, essa terceira carta, coberta por um envelope branco, voltou para o fundo da minha mochila.

 

Quero antes de tudo, desejar um bom ano para todas! Espero que a vossa passagem de ano seja boa e que o ano de 2015 seja milhões de vezes melhor que o ano de 2014!

Sei que nestes capítulos iniciais não acontece nada demais, mas servem apenas para vocês conhecerem melhor a personagem principal e também para introduzir as personagens que irão acabar por surgir mais durante a história. No entanto, posso dizer que a partir do próximo capítulo as coisas começam a ficar melhores!

Beijinhos e até sábado.

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