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More than words.

More than words.

Fragile - 21 |química

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Era um pouco inconveniente o meu quarto ficar no primeiro andar, pois isso implicava uma pequena queda quando tivesse de sair pela janela. Sim, tinha-me decidido a ir àquela festa, apesar de estar de castigo e de correr alguns riscos de ser apanhada pelo meu pai. Ele ia sair e, pelo que me tinha contado, ia jantar com aquela tal de Theresa, a que tinha sido o grande amor da sua vida. E que eu calculava que ainda fosse. Ele falava-me sempre sobre ela, a todo o momento e sabia que andavam a sair juntos numa tentativa de pôr a conversa em dia, ou algo desse género. Provavelmente o meu pai iria chegar tarde a casa naquela noite, e quando chegasse, nem se ia dar ao trabalho de ir ao meu quarto. Ele nunca ia, por isso não seria hoje que isso ia mudar.

Suspirei aliviada quando os meus pés tocaram em terra firme, e de seguida comecei a andar pela rua. Peguei no meu telemóvel, vendo as indicações da morada de James e devido às economias que tinha conseguido fazer, pude desperdiçar algum dinheiro num táxi.

A casa de James era muito maior do que a minha, tal como eu sempre tinha pensado. Era aquele género de casa que vemos nos filmes, mas bem, eu nem precisava de recorrer aos filmes para a comparar, pois podia simplesmente compará-la com a casa onde eu tinha vivido desde criança até aos meus pais se terem divorciado, e eu ter sido obrigada a abandonar a vida luxuosa que sempre tive. Não pensem que por ter sido rica eu tinha sido feliz, pois isso nunca tinha acontecido. De que adiantava ter dinheiro quando não se tinha o amor dos nossos pais?

Troquei algumas mensagens com Victoria que me tinha acabado por dizer que já estava no interior da casa e assim que eu me preparava também para entrar, fui surpreendida por James, que surgiu mesmo à minha frente, com um enorme sorriso presente nos seus lábios.

- Pareces realmente feliz por me ver. – constatei, meio admirada. Aquilo não era muito normal. James encolheu os ombros e disse-me para ficar à vontade. Voltou depois a abrir a boca, preparando-se para dizer mais alguma coisa, mas foi interrompido por algumas pessoas que estavam a chegar.

Eu aproveitei o momento para me embrenhar no interior daquela casa. Ali dentro, a casa quase parecia igual à da outra festa que eu tinha ido. Estava igualmente repleta de pessoas e a música ecoava por todos os lados. Sorri quando avistei Victoria e caminhei até ela, tendo de afastar algumas pessoas que entretanto se metiam à minha frente.

- Juro que estou surpreendida por te ver aqui, Vic. – falei alto, e ri-me levemente.

- Eu também estou um bocado mas… sei lá, uma festa de vez enquando não faz mal a ninguém. – os seus ombros encolheram-se e ela levou aos lábios o copo que tinha na mão. Não sabia o que tinha lá dentro, mas iria ficar um bocado surpreendida se fosse algo com álcool. Ela abanou o copo à minha frente, depois de reparar na minha cara. – Apenas uma bebida inofensiva, sem álcool. – ela disse, soltando uma pequena gargalhada animada. – Foi o Edwin que me deu.

Ok, ficava contente por Victoria estar ali, e ficava contente por ela estar amiga do Edwin, quando há uns tempos isso me parecia algo bastante difícil. O rapaz surgiu nesse momento mesmo ao nosso lado e estendeu um copo para mim, como se estivesse a adivinhar que eu queria beber algo.

- Obrigada. – disse surpresa, estranhava sempre quando alguém se mostrava simpático para mim, principalmente se esse alguém fossem pessoas que não tinham por hábito ser simpáticas.

- De nada. – ele sorriu simplesmente e eu levei o copo aos meus lábios, podendo então constatar que a minha bebida tinha álcool, ao contrário da de Victoria. E ainda bem. – Vou procurar o James. – disse o rapaz loiro por cima do som alto da música, e eu e Victoria ficamos novamente sozinhas, na companhia uma da outra.

-Sabes Ruby, tu és bem diferente daquilo que parecias quando eu te conheci. Acho que até és boa pessoa. – ela ajeitou os seus óculos e dirigiu um sorriso de simpatia para mim.

Não concordava totalmente com aquilo que ela dizia, só acho que ela apenas teve a sorte de ver o meu melhor lado. Aquele lado que eu não mostrava a quase ninguém.

Mostrei-lhe também um pequeno sorriso, antes de falar. – E tu és bem mais divertida do que eu pensava. – acabei por dizer fazendo assim com que ela se risse.

- Acho que nunca ninguém é aquilo que mostra ser. – ela disse, com um ar meio pensativo. – Apenas mostramos aos outros aquilo que nós queremos. Ninguém nos conhece de verdade.

Assenti com a cabeça, concordando totalmente com as suas palavras. A                   quilo não podia ser mais verdade.

Puxei a minha amiga para o meio da pista de dança, e ambas começamos a dançar ao som da música. Não tínhamos muito jeito para dançar, devo admitir, mas também não eramos más de todo.

- O James está a olhar para ti. – disse de repente Victoria, e logo um sorriso surgiu nos seus lábios. Aquele sorriso que ela punha sempre que o assunto era eu e o James. Eu revirei os olhos e depois olhei para trás de mim, onde supunha que ele estava. E estava mesmo. Voltei de novo a olhar para Victoria, que continuava da mesma maneira. – Eu acho que vocês têm tanta química.

As minhas sobrancelhas arquearam-se. – Não sei como ainda não deu faísca, sendo assim. – falei de forma irónica e a minha amiga riu-se.

- Oh, ele vem aí! – ela bebeu todo o conteúdo do seu copo de uma só vez. – Vou… vou buscar um bebida nova ou assim. – exclamou virando de seguida costas e correndo para longe de mim. Aquilo da bebida era apenas uma desculpa para tentar que eu ficasse sozinha com James, que segundo ela, estava nesta altura a caminhar na minha direcção.

 

Bem, espero que tenham gostado deste capítulo! Esta festa promete, posso desde já dizer! E não podem perder o capítulo seguinte.

Beijinhos

 

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