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More than words.

More than words.

Fragile - 23 |discussão

 

Rapidamente começo a andar pelo meio de todas aquelas pessoas, numa tentativa não só de me afastar do James, mas também de chegar de forma rápida à cozinha, local onde todas as bebidas se encontram. Afasto para o lado algumas pessoas e um breve sorriso é visível nos meus lábios assim que paro em frente das garrafas, repletas de diferentes bebidas alcoólicas. Escolho uma ao acaso e depois de pegar num copo, verto algum do conteúdo no seu interior, vendo o mesmo encher-se até cima.

- Ruby. – dou um pequeno salto ao ouvir a voz de James mesmo ao meu lado, o que faz com que alguma bebida se espalhe sobre a mesa. Não dou importância a isso, e apenas pouso a garrafa.

- Pára de andar atrás de mim. – resmungo com ele, sem conseguir olhar para o seu rosto. Pego no meu copo e de imediato levo o mesmo aos meus lábios, sorvendo assim uma enorme quantidade. A bebida arde-me ao passar pela garganta, mas não me importo nada com isso.

- Vais beber para esquecer? – ele pergunta, e noto o seu tom de gozo ao dizer aquelas palavras. Reviro os olhos e depois, pela primeira vez, dou-me ao trabalho de olhar para ele.

- Sim, acho que sim… Costuma resultar não é?

- Não quero que te esqueças. – ele estica a sua mão e retira das minhas o meu copo. – Nem tu queres esquecer, eu sei.

Abano a minha cabeça e tento pegar no copo, mas como James é mais alto do que eu e tem o braço com o copo levantando, eu não consigo lá chegar.

- James, dá-me o copo, que coisa. – reclamo com ele mas isso apenas o faz soltar algumas gargalhadas.

- Pensei que um beijo te iria acalmar, mas pelos vistos… - ele segura a minha mão e de seguida pousa o meu copo na mesa, não me dando tempo de pegar nele, pois começa de seguida a puxar-me para fora dali.

- Mas qual é o problema de eu querer beber? – pergunto, enquanto os meus pés se vão arrastando pelo chão à medida que James me puxa com ele.

- Não quero que fiques bêbada nem te esqueças do beijo, só isso. – os seus ombros encolhem-se ligeiramente.

 

Alguns minutos depois, eu e James estamos sentados no exterior da sua casa, sobre a relva verde e bastante bem aparada. Não sei porque é que ele me levou para ali, mas nem protestei muito, pois o barulho no interior da casa, já estava a fazer com que a minha cabeça começasse a doer. Suspiro, agradada por estar uma noite agradável ao invés de fria e olho depois para James, que parece estar meio pensativo.

- A tua casa é muito gira. – comento, sem saber o que mais dizer.

- É, os meus pais sempre quiseram ter assim uma casa, e conseguiram. – ele sorri de forma breve.

- Vives aqui com eles? – questiono ao que ele assente com a cabeça.

- Sim, desde que me lembro. A casa é enorme apenas para os três mas enfim… por vezes temos uma empregada que vem tratar de algumas coisas, mas apenas alguns dias por semana. – ele encolhe os ombros. – E tu? De certeza que também tens uma casa assim do género. Aposto que também és filha única. – ele ri-se levemente. – Deves ter tudo e mais alguma coisa, deves ser a menina dos olhos dos teus pais. Por isso é que deves ser tão mimada.

Os meus olhos arregalam-se depois de ouvir as barbaridades que lhe saíram pela boca. Mas quem é ele para estar a dizer aquilo sobre mim?

- Tu não me conheces. – retorqui com a minha voz agora mais fria e os meus olhos postos nele.

- Nem é preciso conhecer assim tão bem para saber destas coisas. Basta olhar para ti e para as tuas atitudes para se perceber que és mimada.

E não acredito que ele disse aquela palavra de novo. – Eu posso ser muitas coisas, mas eu não sou mimada. – resmungo e ele começa a rir-se. Dou-lhe um pequeno empurrão e levanto-me de um salto. – És um idiota sabes? Lá por tu teres todas as merdas que queres, não quer dizer que os outros sejam iguais, está bem?

- Vais dizer que não é verdade? – ele levantou-se também, ficando assim à minha frente enquanto ia falando. – Estalas os dedos e tens tudo o que tu queres.

A sério, ele estava a irritar-me ao dizer aquelas coisas, que eram completas mentiras. Era tudo o oposto. Eu nunca tinha nada do que queria, não tinha uma casa grande, não tinha os meus pais juntos e felizes como ele. Não tinha amor, não tinha afeto e muito menos carinho. Não tinha nada daquilo que as pessoas precisavam para se sentirem felizes.

- Cala-te nojento! – gritei na sua cara e voltei a empurra-lo para trás. A sua expressão de divertimento, tinha agora sido substituída por uma mais séria.

- Pensei que não te importavas sobre o que as outras pessoas pensam de ti. – ele falou.

- E não me importo. Mas não tens nada que falar sobre a minha vida como se soubesses tudo sobre ela, ouviste? – perguntei.

- Mimada, mimada, mimada… - ele começou a repetir aquela palavra vezes sem conta, e eu juro que apenas tinha vontade de lhe espetar um murro no meio da cara.

- Antes de falares de mim lava essa boca de merda com sabão! – gritei-lhe, sentindo-me completamente furiosa.

Afastei-me de seguida dele, ignorando o que quer que seja que ele estivesse prestes a dizer e encaminhei-me de novo para o interior da casa. Empurrei as pessoas que iam aparecendo à minha frente e tentei procurar a Victoria. Nunca mais a tinha visto, e sentia que devia, de certa maneira, sentir-me responsável por ela. Afinal de contas, ela nunca tinha ido a uma festa e sabe-se lá como as coisas podiam correr. Assim que a vi com Edwin, senti-me um pouco mais aliviada, por ver que não estava sozinha. Caminhei até eles e segurei o braço da minha amiga, começando a puxá-la comigo.

- Vamos embora daqui. – falei alto enquanto me encaminhava com ela para a porta.

- Porquê? – ela perguntou, num tom de voz de confusão.

- Preciso de sair daqui de dentro, preciso de me afastar deste sítio. – disse apenas e depois deixei que ouvir os protestos dela, quando se decidiu a acompanhar-me, talvez curiosa e já cheia de vontade de começar a perguntar-me coisas. Mas não teria sorte, da minha boca não iria ouvir nada.

 

Depois do que aconteceu no capítulo anterior, vocês agora devem estar com vontade de me bater ahah. Mas pronto, espero que tenham gostado do capítulo!

Apercebi-me agora, que a história está mesmo a meio! Ainda têm bastante para ler e ainda muitas coisas vão acontecer ^^.

Beijinhos

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