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More than words.

More than words.

Fragile - 28 |jantar

Marca de Tinta~ | via Tumblr

 

- Ruby? – a voz do meu pai fez-me deixar escapar um suspiro, e vi-me obrigada a sair da minha cama. Estava tão bem enfiada debaixo dos lençóis. Arrastei o meu corpo pelas escadas abaixo, até ao andar inferior da minha casa e entrei na sala, onde o meu pai agora se encontrava, com um enorme sorriso presente nos lábios. Parecia realmente feliz.

- Ganhamos a lotaria? – perguntei rapidamente e juntei as sobrancelhas.

A sua cara ficou logo com uma expressão confusa e abanou a cabeça num gesto negativo, fazendo-me logo perder a esperança de que a nossa vida iria mudar.

Acabei por me sentar no sofá, quando ele me pediu para fazer isso, e juro que neste momento comecei a achar que algo de muito mau tinha acontecido. Mas bem, era melhor parar de pensar, pois por mais que tentasse adivinhar, eu não iria chegar lá.

- Sabes a Theresa? – ele perguntou e eu logo assenti com a cabeça. Estava mais do que farta de ouvi-lo falar nela, era a toda a hora o assunto naquela casa. Já se tinha passado mais quase um mês desde os seus encontros com ela. E por falar nisso, eu nem acredito que já vivíamos aqui, nesta cidade, há mais de dois meses! Parecia impossível como o tempo tinha passado tão rápido. E vocês agora devem estar a perguntar-se como estão as coisas com o James. Estão na mesma, obviamente. Passamos o tempo todo a implicar um com o outro, discutimos de vez em quando acabando por ficar chateados por uns dias e pronto, também acontecem alguns beijos, por vezes. A culpa é dele, claro!

- Sim pai, podes falar de uma vez por todas? – pergunto, já a ficar impaciente pelo seu silêncio prolongado e por todo aquele mistério.

- Bem, as coisas entre nós estão bem… muito bem, para ser sincero e…

- E vocês estão perdidamente apaixonados e tens uma namorada?! – perguntei bastante alto, antes de lhe dar tempo de continuar a falar.

A sua cabeça moveu-se de forma ligeira dando-me assim a entender que eu tinha acertado em cheio. Oh meu deus, o meu pai estava apaixonado e tinha uma namorada! Acho que me vou beliscar para ter a certeza que isto é mesmo real.

Eu devia estar com cara de parva a olhar para ele, visto que ao fim de um tempo, ele chamou a minha atenção, para assim poder continuar a falar.

- Bem, nós temos falado bastante e ela gostaria muito de te conhecer. – ele começou. – E eu também gostava que tu a conhecesses.

Ok, isto é muito estranho. Nunca ninguém quer conhecer uma pessoa como eu, por isso, o que é que o meu pai terá dito de tão bom que a faz querer conhecer-me? O amor deve andar a fazer-lhe mal.

- Por isso, nós decidimos marcar um jantar para amanhã à noite. – ele acrescentou.

- Hm está bem, acho eu. – disse meio confusa ainda a tentar mentalizar-me de todas aquelas revelações.

- Não te importas? – ele perguntou, com uma sobrancelha arqueada e comos e fizesse alguma diferença eu importar-me ou não.

- Claro que não… é só um jantar. – encolhi os meus ombros. Um jantar que provavelmente iria ser uma seca, mas eu estava disposta a sofrer um bocadinho só para o meu pai ficar feliz. E lá estou eu a usar o meu coração uma vez mais.

- Oh ainda bem, sendo assim. – de novo ele coloca nos seus lábios aquele sorriso de felicidade. – Mas espero que te portes bem, Ruby. Promete que não vais fazer asneiras ou dizer coisas… estúpidas. – ele pediu.

- Eu prometo. – murmurei com um pequeno revirar de olhos.

E eu juro que desta vez ia cumprir aquela promessa.

 

*

A noite do dia seguinte foi num instante que chegou, era sábado à noite. Uau, eles tiveram o cuidado para não marcar aquele jantar num dia de semana, para não me prejudicar com as aulas.

O meu pai insistiu para que eu me vestisse de forma decente, por isso, um pouco contrariada acabei por enfiar o meu corpo dentro de um vestido que tinha recebido de prenda de anos, no ano passado. Devo admitir que o vestido nem era mau de todo, se bem que um pouco curto, mas enfim… era preto, o que me deixava bastante agradada e bem, era girinho e adequado para a minha idade. Não era demasiado formal, para minha grande felicidade. Calcei as minhas vans apesar de o meu pai dizer que me ficavam mal, mas como já tinha cedido em relação ao vestido, ele acabou por não argumentar mais quanto àquilo. Os meus cabelos cor-de-rosa ficaram soltos, como eu usava na maior parte do tempo.

Bati com a cabeça contra o vidro do carro do meu pai, sentindo-me deveras envergonhada por termos de ir naquele carro que estava praticamente a cair aos bocados. Mas pronto, aposto que a namorada do meu pai não reparava sequer naquele carro, porque o amor é cego, não é verdade?

Coloquei o cinto de segurança e logo o meu pai arrancou, começando a conduzir pelas ruas daquela cidade. Não prestei muita atenção durante a viagem, porque acabei por me perder em pensamentos que não tinham interesse nenhum. Só esperava que aquele jantar passasse rapidamente, pois eu tinha a certeza que ia acabar por se tornar um pouco aborrecido. Ah, e também queria que a Theresa gostasse de mim, isto era um pouco estranho, vindo da minha parte, mas sei lá. Estava cansada de ser um fardo para as pessoas.

- Chegámos. – anunciou o meu pai, quando parou o carro em frente da enorme casa de Theresa. A sua casa era mesmo grande, rodeada por um enorme jardim e algumas luzes a toda a volta, dando uma grande luminosidade àquela mansão.

Tirei o cinto e sai do carro, depois de o meu pai fazer o mesmo. Percorremos o caminho que dava acesso à casa e mordi o lábio de forma nervosa. Eu, Ruby estava nervosa por ir conhecer a namorada do meu pai! Devo ter bebido algo forte e não me lembro.

A campainha fez-se soar, mesmo no exterior da casa, quando o meu pai tocou à mesma. Ele vestia um fato todo elegante, parecia que ia para um casamento ou algo do género. A minha atenção voltou-se de novo para a porta quando esta foi aberta por uma mulher com um aspecto bastante jovem. Os seus cabelos curtos e castanhos claros, emolduravam-lhe o rosto, fazendo-se acompanhar por uns olhos claros, em tons de verde. O sorriso que estava nos seus lábios parecia ser demasiado contagiante, de tal maneira que dei por mim a sorrir na sua direcção.

- Sou a Theresa. – ela apresenta-se, sem deixar de me sorrir.

- Ruby. – murmuro, e logo depois ela aproxima-se de mim, depositando um beijo em cada uma das minhas bochechas.

- Oh, podem entrar. – ela diz depois de se afastar de mim, e desvia-se para o lado de maneira a eu e o meu pai entrarmos na sua casa.

Admiro a mesma, deixando que os meus olhos memorizem cada recanto da divisão em que nos encontrámos naquele momento. Encontro-me de tal maneira distraída que acaba por ser o meu pai a puxar-me pelo braço, de maneira a seguirmos Theresa para a sala de estar.

 

Aqui está mais um capítulo! Acham que este jantar vai correr bem? Será que a Ruby se vai comportar?

Espero que tenham gostado!

Beijinhos

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