Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

More than words.

More than words.

Fragile - 30|desculpa

 

Uns minutos depois, estávamos os quatro à volta da mesa de jantar, o jantar estava já sobre a mesa e pelo seu aspecto, eu conseguia quase adivinhar o quanto aquilo seria delicioso. Até me crescia água na boca só de pensar.

Retiramos a comida para os nossos pratos e depois todos começamos a comer, ao início em silêncio, até este ser quebrado pela mãe de James.

- Então, como é que vocês se conheceram e se tornaram amigos? – ela perguntou e neste momento eu queria mesmo poder desaparecer dali. Podiam falar sobre tudo o que quisessem, mas não sobre mim e James. Ugh.

- Foi quando a Ruby foi para aquela escola, começamos a falar e pronto… ninguém me resiste e tornamo-nos amigos. – ele decidiu inventar.

Revirei os olhos ao seu comentário convencido e mantive-me calada, limitando-me apenas a mastigar a comida, que estava mesmo deliciosa, tal como eu tinha previsto.

Theresa sorria, talvez sentindo-se contente com o facto de sermos amigos. Oh deus, posso fugir daqui?

- E namorados, Ruby? – ela decidiu continuar e com um assunto ainda pior do que o anterior. Reparei no meu pai, que me olhava com alguma expectativa e James, que estava a olhar para mim e a tentar evitar rir-se.

Apetecia-me cuspir toda a comida que tinha na boca para o prato, mas consegui controlar-me. – Não tenho namorado. – falei simplesmente e desejando que ela desse aquele assunto por concluído. Mas seria bom demais se isso acontecesse.

- Oh a sério? És tão bonita e de certeza que tens muitos rapazes interessados em ti. – ela continuou.

- Não sei nem me interessa. – foquei o meu olhar no seu rosto. – Os rapazes são estúpidos.

- Ruby… - disse o meu pai, numa tentativa de me alertar para as coisas que eu estava a dizer.

- Desculpa. – encolhi os ombros.

- Não faz mal Patrick. – Theresa sorriu, mostrando que não havia mesmo qualquer problema com aquilo.

Ela decidiu-se por fim a esquecer aquele assunto e começou a falar com o meu pai. Ambos distraídos pelas suas conversas enquanto o jantar ia decorrendo, agora com mais normalidade. Levantei o meu olhar para James, vendo que ele estava a olhar para mim, e teve ainda a lata de me sorrir. Que raiva ele me metia, a sério.

 

Assim que o jantar terminou, Theresa e o meu pai decidiram-se a ir dar uma volta pelo enorme jardim que aquela casa possuía e eu e James acabámos por ficar na sala. Não me agradava nada ficar ali com ele, mas que podia eu fazer? Apenas tinha de me limitar a torcer para que o tempo passasse depressa, para eu poder finalmente ir para minha casa e ver-me livre desta noite, que estava a ser completamente diferente daquilo que eu tinha imaginado na minha cabeça.

- Ruby? – a voz do James despertou-me dos meus pensamentos soltos e olhei para ele, estava sentado ao meu lado, com o seu corpo virado ligeiramente para mim. – Eu queria pedir-te desculpa por no outro dia ter-te chamado de mimada… - ele falou, num tom de voz ligeiramente mais baixo do que o normal. – A minha mãe contou-me algumas coisas que o teu pai lhe disse, e bem, agora que sei quem és, percebo que não és mimada e percebo o porquê de teres ficado tão chateada comigo.

Os meus ombros encolheram-se ligeiramente, devido ao que ele tinha acabado de dizer. – Não faz mal. – disse apenas e esperei que ele encerrasse aquele assunto. Parecia que hoje as pessoas teimavam todas em falar sobre coisas das quais eu não gostava ou não queria falar. Mas este assunto, era demais. Não gostava de falar sobre mim, nem sobre a minha família completamente destruída.

- Sabes que não foi por mal que eu disse aquilo…

- Sim, James. Eu já sei. – olhei para ele, visto que outrora mantinha o meu olhar um pouco baixo. – Já disse que não faz mal, agora esquece esse assunto, eu não quero, nunca, falar sobre isso. – falei de forma séria e esperando que ele entendesse as minhas palavras.

- Pareces tão forte à primeira vista, mas no fundo és tão frágil, Ruby. – ele falou, olhando-me e nesse mesmo instante eu levantei-me do sofá, preparando-me para ir para um lugar qualquer longe dele. As coisas que por vezes ele dizia, faziam parecer que ele me conhecia relativamente bem e eu não queria isso. Não queria que o James me conhecesse, eu não queria ter nada a ver com ele. Aliás, eu não queria que ninguém conhecesse a verdadeira Ruby, aquela frágil que James tinha referido. Queria que todas as pessoas me conhecessem pela pessoa que eu mostrava ser, assim era mais fácil. Fingir sempre que tudo estava bem, mesmo que por dentro eu estivesse a partir-me em mil pedaços. Não gostava de falar sobre estes assuntos, em especial sobre a minha família, pois era algo que me deixava mais vulnerável, por saber que não teria nunca uma família normal e unida, como era suposto acontecer.

Fui impedida de andar, quando James se levantou também e segurou o meu braço. Ele puxou-me para ele, fazendo o meu corpo virar-se na direcção do seu e embater contra o seu peito, coberto pela camisa aos quadrados que ele vestia, logo de seguida os seus lábios esmagaram-se contra os meus. As suas mãos, de forma urgente, envolveram a minha cintura, apertando-me para ele, como se tivesse medo que eu me pudesse afastar. E quem me dera fazê-lo, mas bem… os meus lábios moviam-se contra os dele, em perfeita sintonia, como se já se conhecessem e soubessem de forma automática aquilo que deviam fazer.

Os nossos corpos afastaram-se de forma bastante repentina quando as vozes dos nossos pais começaram a chegar à sala. Respirei fundo e passei a minha língua pelos lábios. Sentia o meu rosto bastante mais quente do que era suposto e desejei por tudo que os meus cabelos cor-de-rosa disfarçassem a tonalidade vermelha que estava presente nas minhas bochechas naquele preciso momento. Olhei para James, que me olhava com aqueles seus olhos verdes intensos e desviei depois o meu olhar, quando os nossos pais por fim apareceram no nosso campo de visão.

Eles sorriram, quando nos viram e adentraram na sala.

- Vamos embora, Ruby? – perguntou o meu pai, que mantinha uma das suas mãos pousada nas costas de Theresa.

Eles faziam um bonito casal, tenho de admitir. Eram os dois ainda bastante jovens e tinham por isso, uma longa vida juntos pela frente. Isso poderia ser algo que me agradasse bastante, mas o facto de eles estarem juntos, era sinónimo de eu ter de ver James ainda mais vezes. E isto não me agradava mesmo nada. Nas poucas horas que tínhamos estado juntos na sua casa, tínhamos conseguido discutir, falar normalmente, ou o quanto isso fosse possível para nós os dois, e até nos tínhamos beijado. Não sei o que mais poderia acontecer, quando fossemos obrigados a passar mais tempo juntos, devido aos jantares e encontros com os nossos pais.

 

Espero que tenham gostado deste capítulo e adorei ler os vossos comentários ao anterior ahah!

É em capítulos como este (na conversa entre os dois), que o nome desta história faz sentido. Tal como o James disse ela parece forte à primeira vista mas no fundo é muito frágil. É assim a Ruby.

Bem, o próximo capítulo trás mais uma surpresa para a Ruby!

Beijinhos

6 comentários

Comentar post