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More than words.

More than words.

Fragile - 32 |és tão má

Untitled | via Tumblr

 

O meu pai estava mesmo a falar a sério, e os dias seguintes foram passados a empacotar todas as nossas coisas, para a mudança que seria feita já hoje. Não conseguia ainda acreditar em como tudo tinha mudado de um momento para o outro. Íamos deixar aquela casa, na qual vivíamos há cerca de três meses, e íamos viver para a casa de Theresa. Tudo isto podia agradar-me imenso, mas o facto de saber que ia viver com James, mudava tudo por completo. Tinha a certeza que ele também não estava agradado com isto.

Arrastei-me pela casa, puxando as minhas últimas coisas até à porta de entrada e chegando aí, cruzei os braços ao peito e respirei fundo, deixando o sol deste dia entranhar-se na minha pele demasiado pálida. O meu pai andava por ali, todo sorridente com o facto de a sua vida correr lindamente. Já eu não podia dizer o mesmo.

- Já tens tudo pronto? – ele perguntou, quando chegou à minha beira.

Apenas assenti com a cabeça e depois de o camião das mudanças chegar, para levar as nossas coisas – que nem sequer eram muitas - dirigi-me ao carro do meu pai e entrei para o lugar do pendura. Olhei a nossa casa, não iria sentir saudades dela, na verdade, ainda vivia ali há pouco tempo e não tinha ainda criado uma verdadeira ligação com aquele lugar. Desejava agora poder fazê-lo e poder ficar ali a viver durante mais tempo, ao invés de ir morar para aquela enorme mansão. Era até estranho para mim eu estar a pensar estas coisas, quando supostamente eu daria tudo para viver num lugar bem melhor do que aquela modesta casa.

 

Quando o meu pai parou o carro em frente da casa de Theresa, eu logo saí do mesmo, enquanto um suspiro ecoava dos meus lábios. O meu pai não entendia o porquê de eu ter ficado assim devido a esta mudança, mas como é óbvio não podia dizer-lhe o verdadeiro motivo, já que ele e Theresa continuavam a pensar que eu e James eramos amigos. Não sei como estavam a acreditar durante tanto tempo naquilo, se bem que creio que agora iriam logo perceber que não passava de uma farsa, pois tenho a certeza que as discussões iam ser imensas e era difícil os nossos pais não se aperceberem delas.

A mulher morena estava já parada em frente da porta principal à nossa espera, recebendo-nos com um enorme sorriso estampado no rosto.

- Fico tão contente com tudo isto. Vai ser tão bom vivermos todos juntos, como uma verdadeira família. – ela comentou, enquanto me puxava juntamente com o meu pai para o interior da sua casa.

Não tardou a que as nossas coisas chegassem, e depois de as colocarem no hall de entrada, Theresa disse-me que podia ir para o quarto que seria meu, já lá tinha estado antes, quando ficou decidido virmos viver para aqui. Peguei nas minhas malas e subi as escadas até ao andar de cima, percorri depois os corredores e abri a porta do quarto, esperando não me ter enganado. Aquela casa era enorme e eu continuava a achar que me iria perder por ali imensas vezes. Assim que os meus olhos deram com aquela divisão, não consegui evitar que um sorriso se formasse nos meus lábios. Aquele quarto era enorme e muito melhor do que o meu quarto da outra casa. Este quarto tinha tudo o que eu podia querer: uma cama grande, vários móveis, uma secretária com um computador portátil pousado sobre a mesma, até tinha uma televisão e um sofá encostado a uma das paredes. Os tons claros daquela divisão, agradavam-me bastante, pois davam-lhe um ar fresco e bastante agradável.

Pousei as minhas malas sobre a cama e abri as mesmas, começando depois a arrumar as coisas nos seus devidos lugares. Nem era algo meu estar a arrumar logo tudo, mas bem, eu não tinha mais nada de interessante para fazer e assim despachava logo aquilo.

Dei um enorme salto e deixei cair no chão as roupas que estavam nas minhas mãos, quando ouvi uma voz atrás de mim. Era James, claro.

- O que estás aqui a fazer? – perguntei, quando me virei na sua direcção e o vi encostado à ombreira da porta, com o ar mais descontraído possível.

- Isso pergunto eu. Estás na minha casa. – ele falou.

Revirei os meus olhos e peguei nas roupas que tinha deixado cair ao chão. – Sabes bem que não estou aqui por vontade própria. – encolhi os ombros e caminhei até ao roupeiro, colocando no seu interior as roupas. – E caso não tenhas ainda percebido, este quarto agora é meu. – voltei a olhar para ele, estiquei um dedo na sua direcção e semicerrei os olhos. – É bom que entendas isso e nem te atrevas a entrar aqui como se nada fosse.

- Porquê? Porque podes estar sem roupa? – ele sorriu, de forma tarada, devo dizer. – Mas não te preocupes com isso, vou tentar bater à porta antes de entrar. Tenho a certeza que terei bastantes oportunidades de te ver sem roupa, sem ter de entrar aqui como se nada fosse.

- Oh James, sonha menos comigo, está bem? – perguntei com um revirar de olhos. Aqueles comentários dele, eram mesmo iguais a ele: idiotas.

- Não consigo evitar, e agora ao saber que estás a dormir no quarto mesmo em frente do meu, vou sonhar muito mais. – a sua voz provocante fez-se ouvir, uma vez mais.

No quarto em frente do dele? – O quê? Não podíamos ter os quartos, um em cada ponta da casa? O mais afastado possível um do outro? – dei por mim a perguntar, enquanto olhava para James. Os cantos dos seus lábios subiram num sorriso.

- Não tenhas medo, que quiseres enfiar-te na minha cama durante a noite, eu vou primeiro certificar-me de que queres mesmo fazer isso. E certificar-me também de que depois não digas que te obriguei. – ele fez um ar meio pensativo e eu atirei-lhe com uma peça de roupa à cara.

- Vê se te calas de uma vez, só dizes porcaria. – resmunguei com ele e de seguida continuei a arrumar as coisas, tentando ignorar a sua presença ali e os seus comentários, que cada vez eram piores.

 

Depois de arrumar tudo, empurrei James para fora do quarto, sim porque depois deste tempo todo, ele continuava ainda ali a tentar meter-se comigo. Não tinha muita sorte, pois apenas se limitava a ouvir-me mandá-lo calar.

- És tão má, sabes? – perguntou ele, quando começamos a andar pelo corredor e do nada senti as suas mãos a prender a minha cintura, ele colocou-se à minha frente e a sua boca aproximou-se do meu ouvido. – Estive a pensar melhor e afinal até me agrada a ideia de vires viver para aqui. Sabes que nos vamos divertir muito, não sabes? – ele perguntou, com a sua voz rouca e os seus lábios a roçar no lóbulo da minha orelha. Um arrepio percorreu todo o meu corpo.

- Não vamos nada, James. – falei num tom de voz bastante baixo e muito menos convincente do que aquilo que era suposto. Os nossos olhos encontraram-se e ele abanou ligeiramente a cabeça, de um lado para o outro.

- Sabes sim, não conseguimos evitar que aconteça. – o seu rosto estava perigosamente perto do meu neste momento e as suas palavras não podiam ser mais verdadeiras. Ele tinha razão e eu odiava isso.

Assim que ele se aproximou mais de mim, de maneira a os seus lábios roçarem nos meus, eu afastei o meu rosto virando-o depois para o lado, apesar de estar cheia de vontade de colar os meus lábios aos seus. Mas não iria fazê-lo desta vez, não podia fazê-lo.

- Ruby… - James sussurrou e eu engoli em seco, empurrei-o um pouco para trás, para ele se afastar de mim e nesse mesmo instante, ouvi a voz de Theresa a chamar por nós.

Aquilo foi o suficiente para eu me afastar mais de James e começar a descer rapidamente as escadas até ao andar inferior.

 

Vocês adoraram o facto de eles irem viver juntos, e ainda bem ahah! Posso dizer, tal como algumas referiram nos comentários, que vai ser muito divertido tê-los a viver debaixo do mesmo tecto. Eu adoro os capítulos a partir daqui, deram-me imenso gosto de escrever!

Beijinhos

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