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More than words.

More than words.

Fragile - 34 |cá se fazem cá se pagam

Black and white

 

Quando os meus olhos se abriram já na manhã seguinte, o meu olhar foi dirigido para o meu telemóvel, que estava pousado sobre a pequena mesa que estava ao lado da minha cama. Verifiquei as horas e depois de um suspiro sair por entre os meus lábios, eu levantei-me da cama. Nos minutos seguintes, dediquei-me à minha higiene pessoal, assim como a substituir o meu pijama por umas skinny jeans e uma camisola com um estampado qualquer na parte da frente. Deixei os meus pés descalços – eu adoro mesmo andar descalça – e desci as escadas até ao andar de baixo. Sabia que o meu pai e a Theresa já tinham saído para trabalhar e portanto não foi surpresa nenhuma quando ao entrar na cozinha me deparei apenas com James.

- Bom dia. – decidi dizer enquanto adentrava por aquela divisão.

Os seus olhos encontraram os meus antes de ele dizer as mesmas palavras que eu havia dito. – Bom dia.

Era ainda estranho para mim estar naquela casa, e mexer nas coisas como se fosse algo normal, mas Theresa tinha-me dito para me sentir à vontade, que agora estava em minha casa e podia agir como tal. Caminhei vagarosamente até ao frigorífico e depois de abrir o mesmo e o percorrer com o meu olhar, decidi-me a retirar do seu interior um iogurte. Com a ajuda de James, consegui encontrar tudo o que queria, coloquei-me em frente da bancada e numa pequena tigela verti o iogurte, juntei ao mesmo alguns cereais e pedaços de frutas.

Sentei-me depois numa cadeira, em frente da mesa e James seguiu os meus passos, sentando-se à minha frente, com uma tigela de leite com cereais à sua frente. Estava a achar estranho ele estar tão calado, mas bem, era melhor nem dizer nada, caso contrário ele iria começar a chatear-me uma vez mais.

- O que foi? – a voz de James, ligeiramente rouca, fez-se ouvir, uns instantes depois.

Arqueei as sobrancelhas. – Nada. – disse meio confusa.

Os lábios dele subiram num pequeno sorriso e ele fitou-me. – Estavas a olhar para mim. Até pensei que ias começar a babar-te.

- Cala-te. – vociferei com um revirar de olhos.

- Estás sempre a dizer cala-te, mas em vez de o dizeres, preferia que me calasses logo de uma vez.

Arregalei um pouco os olhos e fiquei a vê-lo levantar-se. A sua tigela de cereais estava já completamente vazia e por isso ele colocou a mesma dentro da máquina da loiça.

 

Quando acabei também de comer, fiz o mesmo que ele tinha feito e depois saí daquela divisão, entrei na sala, onde James estava a ver televisão, e deixei o meu corpo cair em cima de um dos sofás. Olhei a televisão e fiz uma careta ao ver os programas de seca que ele estava a ver.

- Que seca James, muda isso. – protestei ao fim de um pouco. Estava capaz de morrer de tédio, se tivesse de ficar a ver aquilo durante muito mais tempo.

- Não. – ele disse apenas, sem tirar os olhos do enorme ecrã que ocupava uma parte da parede à nossa frente.

- Sim. Muda. – voltei a insistir e apenas levei com mais um não vindo da sua parte.

Afastei para o lado a almofada que tinha acabado por colocar no meu colo, levantei-me daquele sofá e fui à beira de onde James estava. Peguei no comando da televisão e mudei aquilo para um outro programa qualquer.

- Deixa isso, estúpida. – ele resmungou, tentando pegar o comando de volta. Eu meti-me em pé em cima do sofá e estiquei o meu braço, de maneira a afastar o mais possível o comando dele.

- Não! Aquilo é uma seca, tu és uma seca. – falei alto e andei pelo sofá, tentando afastar-me dele, agora que se tinha levantado e estava mais determinado a retirar aquele pequeno objecto da minha mão.

- Dá-me isso! – ele protestou mas eu abanei a cabeça e tentei afastar-me mais. – És uma chata, Ruby. Deixa a merda do comando e deixa-me ver televisão. Vai fazer outra coisa qualquer. – resmungou comigo.

- Não quero. – tentei empurra-lo, mas não serviu de nada.

- Ai não? Tu vais ver. – as suas palavras foram baixas mas eu consegui ouvi-lo muito bem. No momento seguinte, ele tinha-me pegado pelas pernas e o meu corpo estava pousado sobre o ombro dele. James começou a caminhar pelos corredores e eu limitei-me a bater-lhe nas costas.

- Pousa-me no chão! – gritei sem parar de lhe bater. – Onde é que vais? – tentei saber, quando percebi que ele estava a dirigir-se para o exterior da casa. Vi os seus pés pisarem a relva e não foi preciso muito mais tempo para a enorme piscina que eles tinham aparecer no meu campo de visão. – Nem penses nisso, James! Está muito frio, vou-te matar se fizeres o que eu estou a pensar! – gritei, mas acham que me serviu de alguma coisa? Não. Ele apenas deu uma gargalhada e avançou em direcção à piscina.

O meu corpo foi ao fundo na água e um arrepio percorreu o mesmo, devido ao facto de a água estar completamente gelada. Sentia o frio chegar aos meus ossos e um grito escapou-se por entre os meus lábios quando subi à superfície. James estava a olhar para mim, de braços cruzados e a rir-se às gargalhadas.

- Odeio-te tanto idiota! – gritei, sem querer ainda acreditar no que ele tinha acabado de fazer. – Eu nem tinha feito nada demais para teres feito isto. – voltei a gritar, ainda mais irritada devido às gargalhadas que ele continuava a dar.

Elevei o meu corpo e apoiando-me na borda da piscina, eu saí para fora da mesma. Estava toda arrepiada e cheia de frio. Aproveitando que James estava mais vulnerável, devido às gargalhadas que não paravam, eu agarrei na sua mão e puxei-o muito rápido de maneira a ele cair na piscina. Ele não teve tempo de reagir e por isso, rapidamente o seu corpo caiu dentro de água. Comecei a rir-me apesar de estar a tremer e os meus dentes baterem uns nos outros.

- Estúpida! – ele gritou, vindo rapidamente à superfície da água. Eu dei alguns passos para trás, de maneira a afastar-me da piscina e abracei-me a mim própria, numa tentativa de me tentar aquecer um pouco. James olhava-me como se estivesse com vontade de me matar, e isso só me fazia ter mais vontade de rir.

- Cá se fazem cá se pagam. – disse simplesmente e virei-lhe costas, começando assim a dirigir-me de novo para o interior da casa. Precisava de sentir o ar quente desta, afinal estávamos em Dezembro, em pleno inverno e aquele idiota tinha-me enfiado dentro de uma piscina com a água gelada.

- Se eu ficar doente, vou obrigar-te a cuidar de mim. – as suas palavras fizeram-se ouvir junto ao meu ouvido e o meu corpo arrepiou-se. E desta vez o culpado não era o frio.

- Isso querias tu. – proferi e suspirei aliviada quando por fim o calor do interior da casa entrou em contacto com o meu corpo.

Num gesto rápido, James virou-me para ele e juntou os seus lábios aos meus, dando assim início a mais um beijo. Puxei-o mais para mim, colocando os meus braços em volta do seu pescoço e juntei mais os nossos corpos. Já não conseguia evitar beijá-lo e tinha simplesmente desistido de lutar contra a minha mente, contra aquela parte que me dizia para não o beijar. Pois de nada servia, eu acabava sempre por não conseguir resistir.

Separei os nossos lábios ao fim de um pouco e por alguns segundos, fiquei apenas a olhar para ele. Engoli em seco, quando ele focou o seu olhar também no meu e não desviou os seus olhos. Acabei por abanar ligeiramente a cabeça e seguidamente virei costas e comecei a andar em direcção às escadas. Subi as mesmas, com a intenção de ir ao meu quarto, para assim poder mudar as minhas roupas que estavam agora completamente molhadas. Conseguia ouvir os passos de James mesmo atrás de mim, os nossos passos eram o único barulho que se ouvia, pois nenhum de nós tinha proferido qualquer palavra.

 

Espero que tenham gostado do capítulo!

Beijinhos

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