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More than words.

More than words.

Fragile - 36 |tenho uma prenda para ti

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- Vocês podem parar de discutir? – a voz do meu pai surgiu ao fundo das escadas. Não tínhamos conseguido esconder mais, e por fim, os nossos pais estavam a começar a perceber que eu e James não nos dávamos tão bem quanto isso. Era impossível não discutirmos um com o outro, e hoje, o meu pai não ia trabalhar, assim como Theresa, visto que estávamos na véspera de Natal, por isso, estava a conseguir ouvir perfeitamente a discussão parva que estávamos a ter no meio do corredor. Admito que já nem sei porque estamos a discutir, e chego à conclusão que talvez não haja um motivo, pelo menos um motivo válido. Qualquer coisa serve para começarmos a implicar um com o outro.

Mostrei o dedo do meio a James e seguidamente desci as escadas, afastando-me o mais possível daquele rapaz irritante. O meu pai estava sentado no sofá, e quando me viu abanou a cabeça, como se estivesse com vontade de me repreender. Apenas me limitei a revirar os olhos e segui até à cozinha, onde uma senhora, que vinha de vez em quando a esta casa, para a limpar e essas coisas, estava toda atarefada a fazer alguns doces para esta noite. Roubei alguns, apesar de todos os protestos dela e corri em direcção ao meu quarto. Claro que seria bom demais eu conseguir chegar a este sem nenhum percalço, pois acabei por ir contra James durante o curto percurso.

- Merda James, vê se sais do meu caminho. – protestei.

- E tu vê se paras de ser má. Pensei que o espírito natalício te ia deixar mais simpática mas nem isso te faz mudar. – ele resmungou, cruzando os seus braços ao peito.

Revirei os olhos. – Acredita que por muito que o espírito natalício me deixasse simpática, eu nunca iria dirigir essa simpatia para ti. – acabei por dizer e de seguida passei por ele, entrando finalmente no interior do meu quarto.

 

A campainha tocou, por diversas vezes, aquele barulho irritante a entrar pelos meus ouvidos. Como parecia que ninguém a ia abrir, eu acabei por sair do meu quarto e dirigi-me até ao andar de baixo. Assim que rodei a maçaneta e deixei que a porta se abrisse, os meus olhos depararam-se com uma rapariga loira que nunca antes tinha visto.

- O James está? – ela perguntou, um sorriso presente nos seus lábios. Claro que tinha de ter a ver com o James. Que outro motivo haveria para aquela rapariga estar ali?

- Ele não está. – disse de forma bastante descarada. É claro que ele estava, mas isso não me interessava e a ela também não.

- Oh, quando é que ele volta? – o seu tom de voz começava a irritar-me. Parecia demasiado sonsa ou o raio.

- Não volta. Ele mudou-se para a Lapónia. – retorqui, com uma expressão demasiado séria presente no meu rosto. A rapariga ficou com uma cara completamente confusa perante as minhas palavras, por isso, apressei-me a explicar. – Foi ajudar o pai natal, com as prendas. – ditas estas palavras, eu rapidamente me apressei a fechar a porta.

Assim que a fechei, encostei o meu corpo à mesma e comecei a rir-me às gargalhadas pela parvoíce que tinha acabado de dizer. E ver a cara de parva da rapariga, tinha sido ainda mais engraçado. Voltei a andar, preparando-me para voltar ao quarto, quando James apareceu à minha frente.

- Porque é que te estás a rir? E quem é que estava a tocar à campainha? – ele perguntou.

- Não era ninguém. Quer dizer, era uma rapariga, mas ela tinha-se enganado. Não era aqui que ela queria vir. – apressei-me a dizer, de forma um pouco atrapalhada.

- Ruby, quem era? – ele insistiu.

- Já disse, era uma rapariga qualquer. – resmunguei, ao mesmo tempo que levava com olhares repreendedores vindos de James.

- O que é que ela queria? – James não tinha acreditado em mim. Nem sei porquê, mas enfim.

- Nada James. Era uma qualquer que estava à tua procura. Mas foi-se embora e duvido que algum dia volte. – acabei por admitir, pois tinha chegado à conclusão que não servia de nada estar a mentir, para além disso, James nunca saberia quem era a rapariga que ali tinha estado, já que a sua lista de raparigas devia ser infinita.

Quando recomecei a andar, fui parada por James, que segurou o meu braço, fazendo-me depois olhar para ele.

- Porque é que a mandaste embora? – ele perguntou, parecia irritado comigo, mas eu estava-me a lixar completamente para isso.

- Sei lá, apeteceu-me. – encolhi um pouco os ombros e tentei soltar-me da mão dele.

A sua cara séria acabou por se alterar, e um sorriso surgiu nos seus lábios. – Eu já sei. – ele disse, os seus olhos mais abertos do que o normal, parecia que tinha feito uma grande descoberta, como a cura para uma doença qualquer ou algo do género. – Tu estavas com ciúmes e mandaste-a embora!

- O quê? Ciúmes? – abanei muito o braço, até por fim ele me soltar. – Nunca na vida eu teria… ciúmes. – resmunguei e depois apressei-me a sair dali. Ele devia estar parvo. Ciúmes. Alguma vez eu iria ter ciúmes? Aquela palavra nem sequer constava no meu dicionário.

Ou assim pensava eu.

 

A noite chegou, a tão famosa noite de Natal. O Natal nunca tinha sido uma época muito feliz para mim, pois os meus pais nunca se tinham dado ao trabalho de lhe dar o devido valor. Quer acreditem em mim ou não, os meus Natais sempre tinham sido dias quase normais. Apercebia-me agora de que isso ia mudar, pois Theresa fazia questão de ter um Natal como devia de ser. Eu estava a gostar imenso daquela mulher, ela fazia o meu pai realmente feliz e tratava-me sempre como se eu fosse sua filha. Notava que ela queria sempre o melhor para mim e isso deixava-me tão feliz. Ela preocupava-se comigo, coisa que nunca tinha acontecido com a minha verdadeira mãe.

O Natal foi passado apenas entre nós os quatro: o meu pai, Theresa, James e eu. Tínhamos jantado e comido vários doces. Eu tinha comido mesmo muitos, eram tão bons e eu não conseguia resistir. Claro que o idiota do James tinha de começar com as bocas, a dizer que eu ia começar a rebolar no dia seguinte, mas eu limitei-me a ignorá-lo. As prendas, estavam debaixo da árvore de natal e as mesmas seriam apenas abertas no dia seguinte. Admito que nem estava muito entusiasmada com isso, pois as prendas é algo que nos entusiasma mais quando somos crianças desejosas de receber brinquedos. Essa fase já tinha passado há muito tempo.

Já de madrugada, quando decidi ir para a cama, fui parada por James quando estava prestes a entrar no meu quarto.

- Tenho uma prenda para ti. – ele sussurrou, estava ligeiramente escuro, apenas uma pequena luz estava a iluminar o corredor, no entanto, isso não me impedia de conseguir ver o seu rosto.

- Uma prenda? – perguntei, confusa, sem afastar o meu olhar do seu rosto.

Ele acenou que sim com a cabeça, aproximou-se mais de mim e depois disso juntou os seus lábios aos meus. Estes começaram a mover-se de forma lenta e dei por mim, a mais uma vez, retribuir aquele beijo. Senti as mãos de James segurar o meu rosto, e o beijo a ser prolongado por bastante tempo.

- Depois não digas que sou mau. – ele sussurrou, depois de afastar os nossos lábios. Largou o meu rosto e afastou-se de mim, dirigindo-se depois para o seu quarto.

O meu coração estava a bater mais forte que o normal e a minha mente estava dividida entre vários pensamentos. Se por um lado estava ainda a pensar naquele beijo, por outro estava a repreender-me por estar a pensar naquilo.

 

Eu morro a rir sempre que leio a conversa da Ruby com a outra rapariga, não sei o que me deu para escrever aquilo mas teve imensa piada! Ahahahah

Já estámos nos últimos dez capítulos, por isso isto já começa a ser uma contagem decrescente para o final (mas não fiquem tristes, caso alguém fique, porque ainda têm capítulos para ler até ao início de Junho).

Outra coisa, que vou apenas dizer por curiosidade, quando escrevi este capítulo estavamos na altura do Natal, e teve piada calhar de escrever nessa altura. Assim como os capítulos referentes à passagem de ano, que acabei por também escrever nessa altura. Agora ao dizer isto, é que me apercebo que acabei de escrever esta história à imenso tempo!!!

Bem, espero que tenham gostado do capítulo!

Beijinhos

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