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More than words.

More than words.

Fragile - 39 |ano novo

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- Quero ir embora. – disse assim que parei ao lado de onde James estava, ainda com aquela rapariga. Os dois olharam para mim, e juro que a minha vontade de lhes bater, aumentou ainda mais.

- Agora não. – disse James e de seguida desviou de novo a sua atenção para a morena com cara de burra.

Bufei para o ar e coloquei ambas as minhas mãos na cintura, uma de cada lado da mesma. O meu pé batia no chão de forma impaciente. – Agora sim. Vamos embora.

Ele olhou para mim e fulminou-me com os seus olhos verdes. – Ainda é cedo, mais logo. Desaparece daqui. – resmungou comigo e segurou rapidamente o braço da rapariga, quando se apercebeu de que ela se preparava para ir embora, e o deixar sozinho.

- Eu… - ela começou a falar, enquanto olhava para mim com uma cara estranha.

- Não ligues, a minha irmã vai já embora daqui. – disse James, aproveitando para dar um enorme enfase às palavras “minha irmã”. O pior, é que aquilo pareceu convencer a rapariga. Eu juro que o mato!

- Eu não sou tua irmã! – protestei. – E vamos embora daqui! – continuei, sentindo-me ainda mais irritada.

- Não sejas assim Ruby, desaparece daqui. – avisou James uma vez mais, enquanto olhava para mim. Podia ver um aviso nos seus olhos, como se estivesse a dizer que me ia matar.

Ah, mas eu matava-o primeiro!

Suspirei, irritada, e dirigi o meu olhar para a rapariga. – Ele beija muito mal, mas diverte-te. – falei com um sorriso completamente cínico nos meus lábios. De seguida virei costas, e o meu olhar focou-se num rapaz qualquer que estava ali perto. Logo comecei a andar na direcção dele.

O James estava-me a irritar completamente, principalmente quando disse que eu era irmã dele.

Assim que cheguei à beira daquele rapaz desconhecido, os cantos dos meus lábios subiram num enorme sorriso e logo comecei a dançar com ele. Como é óbvio, ele ficou todo sorridente, e ao fim de uns breves minutos, já eu dançava completamente colada a ele. Conseguia ver pelo canto do olho o James, que tinha deixado de prestar alguma atenção à rapariga. Concentrei toda a minha atenção no rapaz, pois se James queria ficar ali mais tempo a divertir-se, eu iria fazer o mesmo.

- Ruby. – a voz de James surgiu de repente ao nosso lado. Eu ignorei-o, sem sequer olhar para ele e abanei o meu braço quando ele tentou segurar o mesmo. – Estás a ouvir? Vamos embora, não querias ir para casa? – ele falou num tom de voz rude.

- Não sabia que tinhas namorado. – disse de repente o rapaz loiro com quem eu estava a dançar. Ele mexeu nos seus cabelos e eu abanei a cabeça.

- Ele não é meu namorado. Eu nem sequer o conheço. – retorqui rapidamente e voltei a tentar afastar James.

- Não sejas mentirosa. – resmungou James e quando o rapaz colocou as suas mãos na minha cintura, James deu-lhe um empurrão, fazendo-o recuar alguns passos.

- James! – gritei com ele, fulminando-o com o olhar. Ele segurou o meu braço e começou a puxar-me para fora daquele lugar.

- Já chega. – resmungou entredentes assim que chegámos à rua e me largou de forma bruta o braço. Tropecei nos meus próprios pés e quase caí no meio do chão.

- Estúpido, idiota, burro! – resmunguei com ele. – E não venhas com a merda do mentirosa, quando tu disseste que eramos irmãos. – virei-lhe costas e comecei a andar pela rua, sem querer saber para que lado me dirigia.

- Viste o que ele estava a fazer? E a maneira como estava a olhar para ti? – perguntou-me, quando começou a andar lado a lado comigo.

Dei uma gargalhada irónica. – O que tem? Não estavas a fazer o mesmo com aquela rapariga? – abanei a cabeça e afastei-me dele, começando a andar mais depressa. Começava a conhecer aquela estrada, e por isso sabia que estava no rumo certo para ir para casa. Não queria saber de James ou do carro dele, eu ia a pé, mesmo que demorasse a noite toda.

Parecia que James tinha decidido fazer o mesmo, pois não parou de andar atrás de mim. Ia ligeiramente mais atrás, e o silêncio tinha-se apoderado dos dois. Sentia-me completamente irritada, só me apetecia virar-me para ele e dar-lhe um estalo com toda a força que eu tinha. Apetecia-me gritar-lhe na cara o quanto ele me irritava.

- Aquela rapariga era feia. – comentei, depois de uns longos minutos sem nenhum de nós falar.

- Sim, tu és mais bonita. – disse ele como resposta. Juntei as sobrancelhas, confusa, e depois suspirei, continuando a andar. Não olhei para ele, quando o senti a andar ao meu lado e limitei-me a fitar um ponto qualquer à nossa frente. As ruas estavam completamente desertas, visto que todas as pessoas estavam algures, prontas para celebrar a mudança do ano que deveria de estar prestes a acontecer. Retirei o meu telemóvel do bolso do casaco, e o meu olhar concentrou-se nas horas que eram visíveis no ecrã daquele aparelho.

- Falta um minuto. – disse com um suspiro.

Esse minuto rapidamente chegou ao fim, e quando algum fogo-de-artifício, vindo não sei de onde, começou a surgir no céu, James virou-se para mim.

- Tem um bom ano, oh ciumenta. – ele disse, com um sorriso nos seus lábios.

Abanei a cabeça. – Não sou ciumenta. – falei e logo James me puxou para ele. Abraçou-me, envolvendo o meu corpo com os seus braços e elevou-me ligeiramente, até os meus pés deixarem por momentos de tocar no chão. – Bom ano. – murmurei baixo.

Ele pousou-me depois no chão. – Sabias que dá sorte beijar alguém à meia-noite?

Revirei os olhos e abanei a cabeça. – Tinhas de inventar alguma desculpa para me beijar, não é? – perguntei e ele encolheu os ombros.

- Não é desculpa nenhuma, é verdade. – ele disse. – Podíamos experimentar, nunca fiz isso e gostava de ver se dá realmente sorte.

Não pude deixar de reparar no facto de ele ter dito que nunca tinha feito aquilo. Abanei ligeiramente a minha cabeça, de maneira a afastar da minha cabeça estes pensamentos.

- Não quero. Pensei que eramos irmãos. – disse rapidamente, mas aquelas palavras de nada serviram, pois no instante seguinte, eu e James estávamos no meio da rua a beijarmo-nos.

 

James rodou a chave na fechadura, quando chegamos a casa, e depois entramos na mesma, tentando fazer o menor barulho possível. Os nossos pais já estavam em casa, pois tínhamos visto o carro de Theresa estacionado na rua. Eu e James tínhamos vindo a pé para casa, sendo que ele tinha dito que no dia seguinte ia buscar o carro. O relógio marcava agora as quatro horas da manhã, e bem, passamos metade do tempo na rua aos beijos e na outra metade, acabamos por ir a outro bar, onde ficamos, juntos, a beber.

Subi as escadas, o mais silenciosamente possível, e tapei a boca para evitar rir-me, quando James não parava quieto. Ambos tínhamos bebido demais, e nenhum de nós se encontrava muito sóbrio naquele momento.

Assim que cheguei ao corredor, deixei que James me puxasse contra ele, e os nossos lábios logo se juntaram uma vez mais. Tentei andar até à beira do meu quarto, pois estava mesmo ansiosa de cair na cama e dormir. Gemi baixinho contra os lábios de James, quando ele pressionou o seu corpo contra o meu, que estava agora encostado à parede ao lado da porta do meu quarto. Mordi o lábio quando os seus lábios foram parar à pele, agora toda arrepiada, do meu pescoço. Senti a sua boca subir, até ficar colado ao meu ouvido.

- És minha, Ruby. – sussurrou roucamente e logo depois afastou-se, deixando um enorme vazio onde o seu corpo se encontrava. Os meus olhos estavam ligeiramente arregalados e a minha respiração descontrolada. Assim que ele entrou no seu quarto, eu arrastei os meus pés até ao meu, deixei-me cair em cima da cama, enquanto aquelas palavras se repetiam diversas vezes na minha cabeça. És minha, Ruby.

Devido ao estado em que nos encontrávamos, provavelmente amanhã ele não se iria lembrar de ter dito aquilo, mas eu esperava sinceramente lembrar-me. Não sei porquê, mas não queria esquecer.

 

Eu gosto tanto deste capítulo! E espero que vocês gostem também!

Beijinhos

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