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More than words.

More than words.

Fragile - 41 |frágil

 

O telefone tocou e por mais vontade que eu tivesse de permanecer no meu quarto, vi-me obrigada a abandonar este, desci as escadas, em direcção ao andar de baixo, e peguei depois no telefone, encostando este ao meu ouvido.

- Sim? – falei, para o outro lado, mostrando assim àquela pessoa que alguém estava ali.

O tempo andava a passar bastante depressa. Já estávamos em Fevereiro, as aulas já tinham começado há mais de um mês e eu continuava a mesma distraída de sempre. As coisas com James estavam um pouco… estranhas… Sim, talvez esta fosse a palavra certa a usar. Eu já não sentia tanto ódio por ele, quer dizer, claro que sentia ainda um pouco, quanto mais não fosse pelo facto de ele continuar a irritar-me, mas era um ódio diferente daquele que eu sentia quando o conheci. Estávamos cada vez mais próximos, e eu sabia que isso se devia ao facto de passarmos imenso tempo juntos. Mesmo que não quiséssemos, isso era impossível, visto que vivíamos na mesma casa. As minhas visitas ao quarto de James não eram assim muitas, mas as dele ao meu quarto eram cada vez mais. Nada demais acontecia para além dos beijos e de alguns toques, não que as coisas não estivessem prestes a avançar mais algumas vezes, mas eu parava-o sempre ou então eramos interrompidos. Tínhamos um belo sentido de oportunidade, não haja dúvidas.

- Ruby? – a minha linha de pensamentos foi quebrada pela voz da minha mãe. Sim, era ela quem tinha ligado e neste exato momento, eu arrependi-me de ter atendido aquela chamada.

- Sim. – falei num tom de voz completamente indiferente. Estava confusa sobre o porquê de ela estar a ligar. Nunca mais tinha falado com ela, ela nunca mais tinha ligado a querer saber de mim. Isso nem me admirava, pois já estava à espera de tal coisa.

- O teu pai está? – perguntou logo de seguida.

- Não. – as minhas escassas palavras não pareceram fazer qualquer diferença, pois logo ela voltou a falar.

- Oh, quando ele chegar, diz-lhe por favor que preciso de falar com ele. Obrigada. – abri a minha boca para lhe dizer que sim, que dizia, mas ela já tinha desligado a chamada.

Abanei a cabeça, e suspirei longamente. Depois de tantos meses sem falar comigo, quando ligou nem sequer quis saber de mim. Limitou-se a perguntar pelo ex-marido dela e a desligar-me de seguida a chamada na cara.

Pousei o telefone com brusquidão sobre o móvel onde ele estava anteriormente e respirei fundo. – Estúpida de merda! – berrei para aquele aparelho, como se ela me conseguisse ouvir.

- Ruby? Que se passa?

Os meus olhos dirigiram-se para o lugar de onde tinha surgido aquela voz, e limitei-me depois a ignorar James, não lhe respondendo. Comecei a subir as escadas, de novo em direcção ao andar de cima. Sentia-me completamente irritada e com vontade de destruir tudo aquilo que me aparecesse à frente. Entrei no meu quarto, e bati a porta com força, de seguida sentei-me na ponta da minha cama, e respirei fundo tentando manter a calma.

A porta abriu-se uns segundos depois de eu me sentar, e olhei para James, quando ele se sentou ao meu lado na cama.

- Era a tua mãe. – não sei como ele percebeu isso, mas a verdade é que percebeu. Limitei-me a abanar ligeiramente a cabeça, num gesto afirmativo.

- Fala comigo… - ele sussurrou e afastou para o lado alguns dos fios cor-de-rosa do meu cabelo.

- Os meus pais nunca quiserem saber de mim, eu desde sempre que fui, praticamente, obrigada a viver sozinha. Quando acordava de manhã para ir para a escola, os meus pais já tinham saído para o trabalho, depois quando eu voltava para casa à tarde eles ainda não tinham chegado. Na maior parte das vezes eu acabava por jantar sozinha e adormecia muito antes de eles chegarem a casa. Nem sequer tinha direito a um beijo de boa noite ou algo do género. – encolhi os ombros. – Por vezes, passava dias sem os ver. Mas achas que eles se importavam com isso? Nem sequer se apercebiam dessas coisas, de certeza. – suspirei baixinho. – Ficava cheia de inveja quando na escola as minhas amigas contavam as coisas que tinham feito com os pais no fim-de-semana, e eu nunca tinha nada para contar. Os fins-de-semana eram como todos os outros dias. Sempre que tentava falar com eles, apenas me diziam “mais logo, Ruby, agora estamos ocupados”, e esse mais logo nunca chegava. As pessoas pensam que sou uma exagerada mas eu não sou, James. Apenas acho que preciso de sentir que faço falta a alguém, preciso de alguém que me faça sentir protegida, alguém que esteja sempre do meu lado para quando eu precisar de desabafar ou precisar apenas de um ombro para chorar, alguém que me dê o carinho que eu nunca tive, preciso de alguém que me faça sentir que a vida vale a pena. Alguém que goste de mim, de verdade. – neste momento senti os dedos de James sobre as minhas bochechas, e apenas neste instante me apercebi de que tinha começado a chorar. – Merda. – resmunguei para mim e levantei-me de repente, limpando de forma desajeitada as lágrimas que ainda corriam pelas minhas bochechas.

Nem acreditava que tinha falado sobre aquilo com alguém, sobre as coisas que mais me magoavam e deixavam triste. As coisas que me tornavam completamente frágil.

James levantou-se também, logo depois de mim, e fez-me olhar para ele. As suas mãos seguraram o meu rosto, uma de cada lado do mesmo e os seus olhos verdes fitaram os meus. – Espero que saibas que estou aqui para tudo o que precisares. Apesar de tudo, eu estarei sempre aqui. – os seus dedos deslizaram pelas minhas bochechas, pela zona onde restavam ainda uns vestígios das lágrimas que haviam caído. – E no fundo, eu gosto de ti, de verdade. – ele murmurou.

Engoli em seco, devido às suas palavras, pois nunca tinha esperado ouvir aquilo da parte dele, e a verdade, era que me fazia sentir realmente bem. Talvez eu fizesse falta a alguém. Por mais que tivesse tentado evitar, a verdade era que James agora fazia parte da minha vida. Quanto mais não fosse pelo facto de os nossos pais estarem juntos, e portanto, enquanto isso se mantivesse, nós estaríamos sempre um com o outro.

- Beija-me. – sussurrei, tão baixo que por momentos tive medo que ele não tivesse ouvido, mas ele ouviu, consegui percebê-lo pela sua expressão confusa. – Por favor… - voltei a sussurrar.

A curta distância que nos separava foi logo quebrada, quando os lábios de James se uniram aos meus e ele deu início a um beijo bastante calmo, muito diferente de todos os outros. Puxei-o mais para mim, quando as minhas mãos foram parar à sua camisola e estiquei-me ligeiramente, de maneira a que os nossos corpos ficassem com uma diferença de alturas menor. Nunca o tinha beijado daquela maneira nem ele a mim, era diferente e… bom.

Senti o colchão contra as minhas costas, quando ficamos deitados sobre a minha cama. Os lábios dele continuavam a mover-se contra os meus, de forma delicada e posso jurar que cheia de carinho. Os seus dedos percorriam, de forma igualmente delicada, as minhas bochechas como se quisesse mostrar-me que realmente eu não estava sozinha. Como se quisesse fazer-me entender que eu estava protegida, mesmo que eu nunca tivesse percebido isso.

Deixei que James vagueasse com as suas mãos pelo meu corpo, e deixei também que ele despisse, de forma lenta, todas as peças de roupa que cobriam o meu corpo. Desta vez eu não ia pará-lo e tinha a certeza que ninguém iria interromper aquilo.

 

Acho que este é o capítulo mais fofo até agora! É neste capítulo que veem o quanto ela é frágil e pronto, é destas coisas que vem o nome desta história. Espero que tenham gostado! Adoro o gif que usei aqui, já o tinha guardado há imenso tempo, para o usar neste capítulo.

Beijinhos

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