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More than words.

More than words.

Fragile - 45 |eu estou apaixonado por ti

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Comecei a ver a minha vida a andar para trás, quando ao fim de umas semanas, a minha mãe voltou a ligar lá para casa. Desta vez não fui eu quem atendeu a chamada, mas quem me dera tê-lo feito. Teria mandado aquela mulher à merda e desligado a chamada na sua cara, não querendo assim ouvir as palavras que ela ia dizer.

Mas foi o meu pai quem atendeu, e mesmo depois de todas as coisas que ela lhe fez, aquele homem continuava a falar-lhe como se até fossem amigos de longa data. Não o entendia e acho que nunca iria entender. As pessoas são estúpidas na maior parte das vezes. Deixam que os outros as pisem, as tratem como se não fossem importantes, e depois ainda são capazes de correr atrás. Eu não era assim e nunca iria ser.

- A tua mãe quer que vás passar umas semanas à casa dela. – estas palavras, preferidas pelo meu pai, tinham-me deixado com cara de parva a olhar para ele.

- O quê? Nem pensar! – resmunguei abanando a minha cabeça de um lado para o outro. – Nem pensar que vou para a casa daquela mulher que provavelmente já se esqueceu do meu nome. Não vou para lá a fingir que somos uma família feliz! – reclamei, nem dando tempo ao meu pai de dizer o que quer que fosse.

- O que se passa? – James perguntou, quando ao passar naquela divisão, ouviu com toda a certeza a conversa que acontecia entre mim e o meu pai.

- A mulher a quem chamo de mãe, quer que vá para a casa dela. – expliquei-lhe.

- Não te custa nada ires. – disse logo o meu pai. – Quer dizer, ela pode estar a tentar construir uma relação em condições contigo.

- Ela teve muitos anos para o fazer, e não o fez. – James falou com uma expressão confusa presente no seu rosto.

- Não te metas, James. – pediu o meu pai, deixando o seu olhar vaguear para o rapaz durante uns breves segundos.

- Mete-se sim. Achas que quero construir qualquer tipo de relação com aquela mulher? Ela nunca quis saber de mim, nunca! E eu nunca mais quero ter nada a ver com ela. – retorqui, seriamente. – Porque é que não vais tu para a casa dela? Podem construir uma nova relação, quem sabe. – ri-me levemente, de forma bastante cínica. – Oh, espera. Tu vais casar com a Theresa, logo é melhor ir a tua filhinha enfiar-se na casa da estúpida. Se calhar até queres ver-te livre de mim, porque no fundo tu és igual àquela mulher! – gritei na sua direcção e depois apressei-me a sair dali, não querendo ouvir mais nada.

Conseguia sentir as lágrimas a quererem chegar aos meus olhos mas rapidamente me controlei, conseguindo impedir que estas escorressem pelas minhas bochechas.

Entrei no meu quarto, e já dentro do mesmo comecei a andar de um lado para o outro, repetidas vezes, como se isso me pudesse acalmar, de qualquer maneira. Mas não estava a resultar, tinham conseguindo, mais uma vez, tirar-me do sério.

Tinham-se passado meses desde que eu e o meu pai tínhamos vindo viver para esta casa, e durante todos esses meses, a minha mãe nunca tinha querido saber de mim. Tinha-se limitado a ignorar-me como se eu não existisse. E agora, do nada, tinha-se lembrado de novo que eu existia. Mas ela não ia conseguir aquilo que queria, não desta vez. Ninguém me podia obrigar a ir para a casa dela, e se isso acontecesse, eu não pensava duas vezes antes de fugir. Não havia nada que me prendesse a este lugar, quer dizer, talvez apenas James me prendesse aqui.

Suspirei quando a porta do meu quarto se abriu, e preparei-me para gritar, caso fosse o meu pai, mas fechei a boca quando vi que era apenas James.

- Eu não vou. – disse-lhe, nem sei bem porquê.

- Eu sei. – ele caminhou até mim, envolveu a minha cintura com os seus braços e apertou-me contra o seu peito. Enterrei o meu rosto neste e deixei que ele fosse tudo aquilo que ocupava a minha mente naquele momento. – Nem precisas de ir. Ela não tem o direito de fazer o que faz. – os seus ombros encolheram-se e fechei os olhos quando os seus dedos passaram pelos meus cabelos.

- Eu sei. – murmurei baixo, tentando ficar calma e esquecer tudo aquilo. Ninguém me podia obrigar e eu sabia disso. Respirei fundo, sentindo o meu corpo começar a relaxar, não só devido ao facto de eu estar a tentar acalmar-me mentalmente, mas também devido às carícias de James, que estavam agora centradas numa das minhas bochechas.

- Eu estou apaixonado por ti. – estas palavras fizeram-se ouvir de repente junto ao meu ouvido. As minhas bochechas começaram a ficar mais quentes e, por isso, eu mantive-me quieta.

- Porquê isso agora? – murmurei, tentando que a minha voz soasse normal. Não estava à espera daquilo, não agora e não assim de repente, ele tinha mudado de assunto como se nada fosse e aquelas palavras tinham-me apanhado completamente desprevenida.

- Porque me lembrei do que a minha mãe disse naquela vez. Que só quando perdeu o teu pai é que percebeu que o amava. E eu não quero que isso me aconteça. Não quero que um dia vás embora e só aí eu perceba o que realmente sinto. Quero que saibas agora o que sinto e não quando for tarde demais.

Por momentos qualquer palavra que eu pudesse dizer, abandonou a minha boca, e limitei-me a ficar calada, mantendo a minha cara ainda escondida no pescoço dele. Não conseguia olhar para ele. Na minha cabeça as únicas palavras que soavam eram “eu também estou apaixonada por ti”.

Depois de um longo silêncio, consegui por fim falar.  – E eu não pretendo ir embora. Até gosto de viver aqui, gosto bastante da tua mãe, e até consigo vê-la quase como uma mãe para mim. Gosto desta casa, gosto de sentir que pertenço a algum lugar. É a primeira vez que isso me acontece. Sinto-me protegida e pela primeira vez na vida, sei que vale a pena viver.

- Espero que não me vejas como um irmão. – as palavras de James fizeram-me rir contra o seu peito e depois afastei a minha cabeça deste, para assim poder olhar para ele.

- Seria demasiado nojento pensar em ti dessa maneira. – fiz uma cara confusa e abanei a cabeça.

- Isso é bom. – os seus olhos desviaram-se até aos meus lábios, onde um dos seus dedos estava agora pousado.

Os meus olhos estavam postos nos dele, aqueles olhos que tanto me faziam perder a minha linha de pensamentos, tal era a intensidade com que sempre me fitavam.

- Diz Ruby. – ele falou de forma repentina.

- O quê? – perguntei, engolindo em seco, e desviando uma vez mais o meu olhar do seu. Sabia do que ele estava a falar, e aquelas palavras continuavam a gritar na minha cabeça.

- Tu sabes. – ele sussurrou, tentando fazer-me olhar para ele, coisa que não resultou, pois mantive a todo o custo o meu olhar baixo.

As palavras pareciam não querer sair da minha boca, por muito que eu quisesse que isso acontecesse. Eu nunca tinha sido assim, mas James fazia-me ficar desta maneira. Sem jeito. – Estouapaixonadaporti. – disse de forma muito mais rápida do que era suposto, mas eu sabia que ele tinha percebido cada uma destas palavras, como se eu as tivesse dito da forma mais lenta possível. - Fizeste-me mudar, James. – proferi, depois de uns segundos em que ambos ficamos em silêncio. E por fim, eu olhei para ele.

- Continuas a ser a Ruby, continuas a ser irritante, e chata, e teimosa. Continuas a dizer que me odeias, quando estás chateada comigo. – ele encolheu os ombros e os cantos dos seus lábios subiram num pequeno sorriso. – Também continuas a mostrar-te forte, quando por dentro és demasiado frágil. Por isso, creio que não te mudei assim tanto.

 

Este capítulo é adorável e o James admitiu que está apaixonado por ela e olhem a Ruby estáapaixonadaporeletambém.

E o próximo capítulo é o último!

Beijinhos

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