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More than words.

More than words.

Fragile - 46 |o fim

 

De certa forma, eu estava bastante contente pelo dia de hoje. Não só por estar sol, oh, finalmente o verão tinha chegado. Não é que isso fosse algo que me agradasse muito mas sempre era preferível aos intermináveis dias chuvosos do inverno. Mas hoje era o grande dia, o dia em que o meu pai e Theresa tinham escolhido para se casarem. Pois, isto ia mesmo acontecer, e não é preciso referir que cá por casa andava tudo demasiado excitado com este acontecimento.

O casamento seria pequeno e realizado mesmo aqui em casa. No enorme jardim que esta mansão possuía à sua volta. Os convidados eram poucos, apenas alguns amigos mais próximos dos nossos pais. Tal como eles tinham dito, o mais importante era o facto de se casarem, quer estivessem presentes muitas ou poucas pessoas. Aquilo era algo que deveria de ter acontecido há alguns anos atrás, mas por infelicidade do destino, não tinha sido possível. No entanto, este tinha-se encarregado de voltar a unir estas duas pessoas.

Fiz uma careta para mim própria, quando me apercebi que a minha mente estava repleta de pensamentos demasiado românticos para o meu gosto. Eu não era nada assim, talvez eu tenha sido raptada, me tenham feito uma lavagem ao cérebro e agora voltei, mais parva do que já era.

Parva e apaixonada pelo ser estúpido que estava ao meu lado. Os cantos dos lábios de James elevaram-se num pequeno sorriso, quando os seus olhos encontraram os meus. O sol batia nos nossos rostos, de forma bastante agradável. Uma ligeira brisa fazia os meus cabelos esvoaçarem e apesar de eu estar calçada, conseguia quase sentir a relva verde por baixo dos meus pés.

- Nunca me quero casar, é demasiado romântico. – murmurei num tom de voz baixo, apenas para James me ouvir. O padre estava a falar, dizendo imensas coisas as quais eu não prestava muita atenção.

- Quem quereria casar contigo? – ele perguntou tentando manter-se sério.

Uni as sobrancelhas e fiz uma careta dirigida a ele. – Tu, por exemplo. – encolhi os ombros.

- Duvido muito que tivesses essa sorte. – brincou e eu dei-lhe um pequeno encontrão.

Nós nem sequer tínhamos uma relação, mesmo depois de todos os meses que se passaram entretanto. Não eramos namorados e nenhum de nós estava preocupado com isso, até porque agíamos como se fossemos. Já não escondíamos de ninguém aquilo que sentíamos um pelo outro, e mesmo que tentássemos esconder, tal coisa seria impossível. Já não nos beijávamos apenas quando estávamos sozinhos. A nossa relação não tinha qualquer tipo de rótulo e isso não fazia falta nenhuma, porque o mais importante de tudo, eram os sentimentos que nutríamos um pelo outro. E esses eram bastantes.

James puxou-me mais contra ele, deixando que os nossos dedos se entrelaçassem e depois a sua boca chocou com a minha bochecha, depositando assim um beijo nesta. Senti depois os seus lábios encaminharem-se para a minha boca.

- James… - sussurrei baixo e isso apenas o fez soltar uma pequena gargalhada.

Abanei a cabeça e tentei concentrar a minha atenção no casamento que decorria à nossa frente. Os nossos pais estavam a trocar alianças e toda aquela cena era adequada aos dois seres humanos que estavam ali presentes. Sentia-me contente por finalmente o meu pai ter ficado com alguém que merecia o seu amor.

A minha relação com o meu pai, estava agora melhor e tinha a certeza que isso se devia em parte a Theresa. E além disso, eu tinha percebido, que ao contrário da minha mãe o meu pai nunca me tinha abandonado e continuava comigo, apesar de tudo. Theresa era tão boa pessoa para comigo, fazia-me sentir bem e amada e eu via-a agora como minha mãe. Mas não via James como um irmão, ele estava sempre a relembrar-me disso, o que me fazia rir.

Da minha mãe, nunca mais quis saber nada. Ignorei todos os telefonemas que ela fazia lá para casa e limitava-me a fazer de conta que ela não existia. Como ela tinha feito comigo praticamente até agora.

As pessoas a baterem palmas despertaram-me daqueles devaneios e dei por mim a sorrir, acabando por acompanhar as pessoas.

 

O almoço iria decorrer ali mesmo, no jardim. Estava tudo decorado de acordo com a ocasião e imensos empregados caminhavam de um lado para o outro, certificando-se de que não faltava nada aos convidados ali presentes. Victoria e Edwin estavam também ali, pois eu e James tínhamos insistido para que eles fossem também convidados para este casamento. Afinal, eles eram os nossos melhores amigos, apesar de serem muito chatos, e continuarem a shippar-nos loucamente. Juro que a Victoria passava a vida a usar esta expressão, falando sempre com um enorme entusiasmo. Mas sabem que mais? Comecei a shippá-la também loucamente com o Edwin e nem sabem como isso deixava a minha amiga furiosa e com as bochechas completamente vermelhas. Mas vamos admitir, eles formam um casal bonito e cada vez passam mais tempo um com o outro.

- Gostaria de aproveitar melhor o teu dia de aniversário. – murmurou James junto ao meu ouvido.

Outro pormenor do dia de hoje: era o meu aniversário. Nunca dei muita importância a este dia, e portanto, hoje estava a ser igual.

- Está a ser um bom dia James. Estamos em festa. – encolhi ligeiramente os meus ombros e virei-me na sua direcção.

- Oh sim, mas é diferente. É o teu dia e devias aproveitá-lo como tal. – retorquiu ao mesmo tempo que os seus dedos deslizavam pelas minhas bochechas, traçando linhas imaginárias nestas.

- Eu estou a aproveitá-lo.

- Mas era mais interessante aproveitar de outra forma. Apenas nós os dois. – o seu sorriso provocante estava presente nos seus lábios e isso fez-me rir.

- O dia ainda é longo. – beijei os seus lábios e depois concentrei a minha atenção na comida que cobria as mesas que por ali se encontravam.

 

Encostei o meu corpo cansado contra James e ambos assentimos com a cabeça a todas as recomendações que os nossos pais nos dirigiam. Iam em lua-de-mel e obviamente, eu e James iriamos ficar em casa, sozinhos.

- Não deitem a casa abaixo. – eles disseram, ao mesmo tempo.

- Vamos tentar. – revirei os olhos, já farta de todas aquelas coisas, até parecia que eramos crianças que não sabiam tomar conta de si próprias.

- E discutam pouco.

- Também vamos tentar fazer isso. – foi James quem falou, com uma pequena gargalhada.

Apesar de a nossa relação já estar mais evoluída, isso continuava a não impedir que houvessem algumas discussões. Eram inevitáveis pois tanto eu como James, continuávamos a chocar um com outro. Talvez fosse o facto de sermos tão iguais que fazia com que isso acontecesse.

E eu não me importava. Tudo tinha começado devido a essas discussões.

E uma relação sem estas coisas, não tem piada nenhuma.

- Finalmente sozinhos! – exclamei quando o carro que levava os nossos pais se afastou rua abaixo. – Pronto para deitar a casa abaixo?

 

Aqui está o fim da Fragile, a história chegou ao fim. Antes de tudo, quero agradecer a todas as pessoas que a leram, espero que tenham gostado tanto quanto eu gostei de a escrever! Sei que é uma história bastante simples e tudo isso, mas espero que se tenham divertido com a Ruby e com o James! Muito obrigada por tudo <3

Como já é habitual, eu já tenho uma nova história começada. Por isso, no próximo sábado não se esqueçam de passar por aqui, pois irei começar a postar :p

Beijinhos!

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