Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

More than words.

More than words.

Fragile - 6 |cheguei viva a casa

Room & Interiors | via Tumblr

 

Abri a porta da minha casa, assim que cheguei à mesma à hora de almoço e fiquei meio surpreendida quando me apercebi de que o meu pai já estava em casa. Era um bocado estranho, quer dizer, não era. Ele estava ainda a procurar um emprego, porque nós tínhamos acabado de chegar a esta cidade, e os empregos não caiam do céu a toda a hora.

A minha mochila caiu no chão, em vez de em cima do sofá, porque a minha pontaria não era lá muito boa.

Entrei depois na cozinha, a qual até tinha um cheiro agradável, devido aos bons dotes culinários do meu pai, felizmente ele tinha jeito para estas coisas, caso contrário não sei como iriamos sobreviver os dois, sozinhos numa casa. O mais certo era eu acabar por morrer, devido à falta de comida no meu organismo.

Os seus olhos seguiam os meus movimentos de forma atenta, enquanto eu pegava nos utensílios necessários para me servir da comida. Pousei as coisas sobre a mesa, onde ele estava já sentado a comer o seu almoço.

- Está tudo bem? – perguntei, olhando-o da mesma maneira que ele estava a olhar para mim.

- Antes de mais, olá também para ti. E isso pergunto eu, como correu a escola? Espero que te tenhas portado bem, Ruby.

- Portei-me muito bem, não matei ninguém, não estraguei nada, não fui chamada ao gabinete do director e como podes ver, cheguei viva a casa. – levantei os braços no ar, acabando por rir levemente, se bem que ele não achou muita piada.

Sentei-me na cadeira que puxei e depois de me servir, comecei a comer de forma silenciosa. Nem eu nem o meu pai costumávamos conversar muito, a nossa relação nunca tinha sido de muita proximidade. Na verdade, nunca tive uma relação muito próxima com nenhum dos meus pais. Antes, quando tínhamos tudo, eles apenas se preocupavam com os seus empregos e com a enorme quantidade de dinheiro que ganhavam nos mesmos. E agora, bem, agora que o meu pai estava pobre, ele continuava a não querer saber muito de mim. Sei que o meu nascimento não foi algo que eles tinham planeado e sei também que estraguei a vida deles quando eram ainda muito novos, mas porra, acham que eu pedi para nascer?

- Pai eu preciso de dinheiro para…

- Não. – ele interrompeu-me, não me deixando continuar sequer a falar.

- Mas eu ainda não disse para que precisava dele. – retorqui, parando por momentos de comer.

- A resposta é não na mesma, já te dei a mesada deste mês, não te vou dar mais dinheiro, Ruby. – ele protestou e eu fiz uma careta.

Merda?

Ainda estávamos a meio do mês, mas eu já quase não tinha dinheiro nenhum. A mesada que ele me dava mais valia chamar-se semanada, pois o dinheiro era mesmo muito pouco e não dava para quase nada. Vida de pobre é uma treta, acreditem em mim.

Acabei rapidamente de almoçar, e sem dizer mais nada saí da cozinha, dirigi-me ao meu quarto e fui ao meu esconderijo. O esconderijo onde guardava as coisas que não queria que alguém visse, apesar de não haver lá nada de mais. Retirei de lá algum do meu dinheiro, e que eu esperava que fosse suficiente e de seguida saí de casa.

 

Quando voltei para casa, já tinha na minha posse as latas de tinta que tinha comprado para pintar as paredes brancas do meu quarto. Também tinha comprado alguns posters das minhas bandas favoritas, os quais eu pretendia colar numa das paredes daquela divisão. Precisava de dar mais vida àquele quarto, torna-lo mais meu. O meu dinheiro é que bem, acho que mais para o fim do mês teria de me tornar mendiga e mendigar à porta da escola.

As roupas que levei para a escola naquele dia, foram substituídas por umas roupas velhas, pois eu já conseguia prever a lástima em que iria ficar.

Atei o meu cabelo no topo da cabeça e sentei-me no chão, abrindo as latas da tinta que tinha comprado. Tinha comprado preto e cor-de-rosa, esta última para combinar com a cor do meu cabelo. Que lindo não é?

Os minutos seguintes, ou melhor, as horas seguintes, foram ocupadas comigo a pintar, ou a tentar pintar, aquelas paredes que me rodeavam. Eu não tinha jeito nenhum para aquilo, mas quando terminei, até gostei do resultado final. Se bem que eu estava tão pintada quanto as paredes, as minhas roupas estavam todas pintadas de preto e cor-de-rosa e já quase nem dava para distinguir onde acabava o meu corpo e começava o meu cabelo.

Tive de guardar os posters, para os colocar mais tarde, porque é obvio que não os iria colar em cima da tinta ainda por secar. Dirigi-me à casa de banho, e despi aquelas roupas, para tomar um duche que fizesse toda aquela tinta sair do meu corpo. A minha maior vontade era encher a banheira de água, deitar-me na mesma e ficar ali horas. Mas não posso fazer isso, porque o meu pai iria matar-me se eu gastasse uma enorme quantidade de água a tomar banho. Tinha de me limitar a um duche, como sempre. Odeio ser pobre.

 

Este capítulo é um bocado seca, eu sei. Mas é para vocês irem percebendo como é a vida da Ruby e como ela é. E não há James, eu já sei que vocês gostam muito dele (ele agradece ahah). Mas no próximo ele já aparece de novo e o próximo capítulo já compensa este!

Ps: Eu alterei a capa desta história, mudei-a no post que tinha feito na altura. Por isso podem vê-la aqui: capa

Beijinhos

7 comentários

Comentar post