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More than words.

More than words.

I want you - 14

Apesar do que tinha acabado de acontecer ser algo que eu queria mesmo muito muito, eu sentia-me horrivelmente mal por ter mesmo acontecido. Meu deus, eu nunca tinha sido assim, como é que eu fora capaz de trair a minha melhor amiga desta maneira? É que desta vez não tinham sido só beijos, tinha sido muito mais do que isso. Tinha-a traída da pior maneira que podia trair.

- Pára de te sentir culpada, Morgan. – pediu o Dave enquanto passava os seus dedos pelas minhas costas nuas. Provavelmente a minha cara mostrava como eu me sentia, o que não era de estranhar.

- É melhor ires embora. – disse. – A minha tia pode chegar a qualquer momento. – nem sequer sabia quanto tempo se tinha passado. Puxei as minhas roupas que se encontravam por ali espalhadas e comecei a vesti-las.

- Eu é que sou o namorado da Rose, fui eu que a traí, não tu. – sabia que ele estava a tentar descansar-me mas não ia conseguir.

- Traí na mesma. – encolhi os ombros. Sabia que ele se sentia tão mal como eu, é claro. – E não lhe contes nada disto do que aconteceu, por favor. – pedi olhando para ele. Ela não podia mesmo sonhar sequer que isto tinha acontecido, aí sim é que ela ia ficar magoada e a odiar-me. Além disso, isto nunca mais ia acontecer…

- Eu não vou contar. – descansou-me ele e de repente estava já ao meu lado, puxou-me para ele e tentou beijar-me mas eu afastei-me ligeiramente.

- O “faz de conta que ainda estamos nos velhos tempos”… – fiz as aspas com os dedos. – … já acabou… - disse-lhe com um suspiro.

- Só acaba se quisermos. – retorquiu ele.

Abanei negativamente com a cabeça e seguidamente dirigi-me à porta, abri a mesma e esperei que o Dave saísse também do quarto.

 

- Tia?! – abri a boca de espanto e engoli em seco, quando ao descermos as escadas me deparei com a minha tia ao fundo das mesmas.

- Dave? – ela olhou para ele, muito surpreendida por vê-lo ali. E claro que estava surpreendida, ela sabia que o Dave agora namorava com a Rose e sabia também que a Rose estava na casa do pai, e não aqui. Tenho mesmo muita sorte, já não me bastava ser uma traidora, agora tinha sido apanhada a sê-lo.

- Olá, Amber. – o Dave desceu o resto das escadas que lhe faltavam e assim que chegou à beira da minha tia, beijou-a na bochecha. Voltei a engolir em seco e juro que se pudesse abrir um buraco e enfiar-me lá dentro, era mesmo isso que faria naquele momento. Será que ele não tinha percebido que a minha tia era inteligente o suficiente para perceber o que tínhamos andado a fazer? – Bem, tenho de ir. – ele sorriu debilmente e depois saiu de casa, deixando-me assim sozinha com a minha tia.

Desci as escadas e comecei a dirigir-me para a cozinha, tentando fingir que nada daquilo se tinha passado.

- Que foi isto Morgan? – perguntou-me ela enquanto me seguia para a outra divisão.

- Nada. – respondi num sussurro.

- O Dave não namorava com a Rose? – as perguntas dela agora não iam parar. Eu gostava muito da Amber e para além da Rose, ela era uma das minhas confidentes. Mas sinceramente preferia guardar estas coisas apenas para mim, sentia-me tão mal só de pensar no que tinha feito, que nem queria imaginar como me sentiria ao dizê-lo em voz alta.

- Ainda namora. – disse-lhe e peguei num copo enchendo-o com água.

- E ele estava contigo, no teu quarto…

Virei-me para ela e engoli em seco. – Esquece isso por favor, finge que não viste o Dave aqui. – pedi-lhe.

Ela andou até ficar mais perto de mim. – Morgan, sabes bem que podes confiar em mim. – suspirou. – Não te vou julgar pelo que fizeste, porque se eu estivesse no teu lugar muito provavelmente teria feito o mesmo. Quer dizer, nem sei como aguentas ver o rapaz que amas e a tua melhor amiga juntos. – ela abanou a cabeça e eu baixei o olhar.

- Sou uma pessoa horrível, isso sim. Quem é que precisa de uma amiga como eu? – revirei os olhos para mim própria.

- Não te martirizes por causa disso, Morgan. – retorquiu a minha tia e levantou-me o rosto, fazendo-me olhar para ela. – O que é que a Rose fez quando te foste embora? Ficou com o Dave mesmo sabendo que tu ainda gostavas dele. Quer dizer, ela conhece-te suficientemente bem para saber que não ias deixar de gostar dele apenas porque tinhas ido embora.

- É diferente. – disse-lhe.

- Não, não é diferente. E é normal que te sintas culpada e tudo isso. – disse. – Mas vais ver que tudo se resolve. – sabia que ela estava a tentar fazer-me sentir melhor comigo mesma e que queria que eu parasse de me culpar pelo que tinha acontecido.

Encolhi os ombros e abracei-a com força. – Obrigada. – disse-lhe. Até era bom ter alguém que compreendia o meu lado e alguém com quem eu pudesse “desabafar”, já que não poderia fazê-lo com a Rose.

Não sabia mesmo como é que amanhã iria conseguir encarar a Rose, sim, porque amanhã ela já estaria aqui de novo e ainda por cima era o seu dia de anos. Íamos passar o dia os três juntos e eu e o Dave tínhamos de agir com normalidade como se nada se tivesse passado. Juro que não sei como ia conseguir fazer isso sem deixar transparecer como me sentia na verdade.

 

Dave

Respirei fundo assim que sai da casa da Morgan. Tinham mesmo acontecido aquelas coisas? Não só o facto de sermos apanhados pela tia dela mas também o que tinha acontecido antes disso. E eu tinha-lhe dito que ainda estava apaixonado por ela, não era suposto nada disto ter acontecido, o que era suposto era nós agirmos apenas como dois amigos normais no tempo em que a Rose não estava cá. Mas ao invés disso, tinha-a beijado, tinha-lhe dito o que sentia ainda por ela e ainda tinha ido para a cama com a Morgan.

Quando a Morgan tinha voltado para a Austrália, apesar de todos aqueles sentimentos se terem despertado dentro de mim, eu tinha chegado a pensar que iria conseguir controlar-me e agir normalmente. E a verdade, era que no início eu tinha tentando fazer isso, além disso raramente estávamos sozinhos, pois a Rose estava sempre na nossa companhia, e portanto eu nunca tinha sequer oportunidade de fazer o que quer que fosse. Mas quando fiquei sozinho com a Morgan pela primeira vez, no centro comercial, não consegui mais aguentar todas aquelas coisas que estava desejoso de fazer há tanto tempo.

E sim, eu sei que se alguém imaginasse sequer o que eu andava a fazer, iam fazer de mim um rapaz nojento e estúpido que andava a trair a namorada mesmo nas suas costas. E eu sentia-me mesmo assim, mas que podia eu fazer quando a rapariga que eu sempre tinha amado tinha voltado a aparecer na minha vida? Acho que ninguém podia verdadeiramente julgar-me por causa disto.

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