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More than words.

More than words.

I want you - 20

Antes de mais, quero dizer que respondi aos vossos comentários do capítulo anterior no próprio post, e desculpem por isso :/ . Aqui está o penúltimo capítulo, não se esqueçam de depois na quarta passar aqui para lerem o último!

Não sei quanto tempo fiquei ali especada a olhar para o Dave a beijar aquela rapariga, mas só despertei daquilo, quando o beijo cessou e o Dave olhou para o lado, apercebendo-se apenas naquele momento de que eu estava ali. Engoli em seco quando percebi que a rapariga era a Danielle, aquela que, segundo a Rose me tinha dito, estava apaixonada pelo Dave.

Abanei a cabeça quando o Dave ficou a olhar para mim com uma expressão toda confusa e quando reparei que ele se preparava para vir ter comigo, eu virei costas e comecei a correr dali para fora. Não só saí daquele espaço, como saí mesmo daquela festa. Já tinha perdido toda a vontade de estar ali, e sinceramente já nem sequer tinha motivos para estar naquele lugar. O Dave tinha-me traído, era esta a única frase presente na minha cabeça naquele momento.

 

Apenas parei de correr quando cheguei ao exterior da escola, mandei parar um táxi que ali ia a passar e dei-lhe a direcção da minha casa. Só queria estar sozinha, queria chorar à vontade e sentir-me irritada sem ter ninguém ao meu lado a dizer para ter calma ou algo desse género.

 

*

Olhei para a Rose, quando no dia seguinte ela veio a minha casa. Tinha saído da festa sem sequer lhe dizer o que quer que fosse e ela ainda nem sabia o que se tinha passado.

- O Dave traiu-me. - era a primeira vez que dizia estas palavras em voz alta, e doía ainda mais do que apenas ouvi-las na minha cabeça.

- Estás a gozar! - exclamou a Rose, agora com uma expressão de choque estampada no seu rosto. Tal e qual a expressão com que eu tinha ficado quando tinha visto aquilo.

Acabei por contar detalhadamente à Rose tudo o que tinha visto lá na festa e apesar de saber que eu estava a dizer a verdade, ela não conseguia acreditar naquilo.

Olhei para o meu telemóvel que estava cheio de chamadas e mensagens do Dave, mensagens essas que eu nem sequer me tinha dado ao trabalho de ver, visto que as desculpas que ele ia arranjar só iriam servir para me deixar ainda pior do que eu já estava. Pelos vistos ele hoje já tinha vindo cá a casa, mas eu tinha pedido por tudo à minha tia para lhe dizer que eu não estava em casa. E foi exactamente isso que ela fez.

 

*

Era segunda-feira, e infelizmente tínhamos aulas, o que significava que ia ter de ver o Dave, pela primeira vez desde o que se tinha passado.

- Morgan. - engoli em seco quando o ouvi chamar o meu nome mas continuei a andar em frente, como se não o tivesse ouvido.

Parei depois, com um suspiro quando ele voltou a chamar-me e continuou a andar atrás de mim.

- Dispenso qualquer tipo de desculpa. - virei-me para ele e respirei fundo. - Há coisas que não têm desculpa, por isso escusas de perder tempo a tentar dizer o que quer que seja. - falei.

- Não vou inventar nenhuma desculpa, Morgan. - disse ele.  - Ouve-me por favor.

- Já disse que não quero desculpas. - retorqui. Quando me preparava para voltar a andar, o Dave segurou-me no braço, tentando obrigar-me a ouvi-lo.

- Não precisas de dizer nada, ouve-me apenas. - pediu. - Achas mesmo que eu te ia fazer aquilo? Ainda por cima ali, em frente a toda a gente como se nada fosse. - ele abanou a cabeça. - Eu não sei o que aconteceu... - Dave suspirou e por momentos baixou o olhar. - Eu fui ao bar buscar as bebidas, e quando estava lá apareceu a Danielle com uma conversa toda estranha. Nem sequer me consigo lembrar do que ela me estava a dizer, só sei que peguei na minha bebida e bebi um bocado. - fez uma cara estranha. - Depois disso lembro-me de ir com ela não sei porquê e depois... não sei. É tudo muito confuso, nem sei porque é que ela me estava a beijar, e principalmente porque é que eu a estava a beijar. - ele fitou-me e suspirou uma vez mais. - Eu acho que ela me drogou, Morgan.

Engoli em seco com o que ele me tinha acabado de dizer, nem sabia se devia acreditar ou não. Mas o que ele me estava a dizer, por mais estranho que fosse fazia todo o sentido. Mas drogá-lo? Aquilo era um bocado demais e era isso que me fazia duvidar um pouco do que o Dave me estava a dizer. Como ele já tinha largado o meu braço, eu virei costas, sem nada dizer, e fui embora.

 

Peguei no jornal da escola que estava ali pousado sobre uma mesa, era estranho haver hoje o jornal, visto que este costumava sair à quinta-feira e hoje ainda era segunda-feira. Mas talvez fosse por causa da festa, e não quisessem esperar até ao final da semana para contar todas as coisas que tinham acontecido. Juntei as sobrancelhas, quando o cabeçalho do jornal me chamou a atenção: "Droga na festa de início às aulas?". Engoli em seco e de imediato comecei a ler a notícia que preenchia toda a primeira página do jornal. Falavam lá de que alguém tinha andado a vender droga pela festa e que esta tinha sido usada em várias pessoas. Não falavam muito sobre os efeitos dessa droga e assim, diziam apenas que as pessoas que a consumiam, perdiam um pouco a noção daquilo que faziam, deixando-se muitas vezes levar pelos outros.

- Dave... - engoli em seco. Ele tinha mesmo sido drogado pela Danielle, só podia ser essa a explicação. Ela tinha arranjado uma maneira bem simples para o levar a fazer aquilo que ela queria. E nem tinha sido muito difícil ela o drogar, o Dave estava no bar, com um copo mesmo à sua beira, bastou por isso ele ter-se distraído um pouco para que ela conseguisse pôr a droga no seu copo. Ela era passada da cabeça.

 

Procurei a Rose, que naquele momento já se encontrava na sala de aula e pousei aquele jornal à sua frente, obrigando-a depois a ler aquela notícia de uma ponta à outra.

- Estás a querer dizer-me que o Dave foi drogado na festa? – ela olhou-me de sobrolho franzido e eu assenti com a cabeça, dizendo-lhe depois que o Dave me tinha dito que achava que era isso que se tinha passado. Agora sim, o que ele me tinha dito já fazia todo o sentido.

Deixei-me sentar na cadeira ao lado da Rose e deixei escapar um suspiro. – Preciso de falar com ele, mas agora sinto-me mal por ter ficado toda chateada com ele antes de ouvir o que ele tinha para me dizer.

- Ele vai entender-te. – ela tentou descansar-me. – Se fosse ao contrário, ele muito provavelmente iria reagir da mesma maneira que tu. – encolheu os ombros.

- Pois… - voltei a suspirar. – Logo depois das aulas, vou falar com ele, para resolvermos as coisas.

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