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More than words.

More than words.

I want you - 9

Dave

Eu ia beijá-la, se ela não se tivesse afastado eu tinha-a beijado. Ansiava tanto por aquilo, desde que ela tinha voltado que eu não parava de pensar no quanto a queria beijar. Naquele momento, nem sequer me tinha passado pela cabeça a Rose, pois os meus pensamentos estavam todos concentrados na Morgan e na sua boca, ali tão próxima da minha.

Assim que ela se afastou e se meteu dentro do provador eu encostei-me contra a parede oposta e respirei fundo, tentando voltar ao meu estado normal. Sabia que ela tinha feito o que era certo ao afastar-se, coisa que eu não pretendia fazer.

- Podemos ir pagar? – perguntou ela, assim que por fim saiu de dentro do provador. Olhei-a, completamente embaraçado pelo tinha acontecido a apenas assenti com a cabeça. Sabia que ela estava tão constrangida quanto eu.

Deixei-a passar e depois segui atrás dela enquanto nos dirigíamos para a caixa.

 

Morgan

Finalmente tinha ganho a coragem suficiente e tinha saído de dentro daquele provador. Estava tão embaraçada que nem sequer sabia ao certo o que dizer ou como olhar para o Dave. Andei até às caixas, felizmente a loja estava vazia de clientes e portanto, fomos logo atendidos. O Dave pagou o vestido e depois eu peguei na saca, saímos da loja e começamos mais uma vez a andar pelos corredores do centro comercial.

- O que mais achas que a Rose gostaria de receber? – perguntou-me ele, depois de permanecermos alguns minutos em silêncio.

Olhei-o de relance. – Hm flores. – foi a primeira coisa que me veio à cabeça. Eu pelo menos adorava receber flores, nem que fosse apenas uma. – Perfumes, jóias… - fui dizendo.

- Flores parece uma boa ideia. – interrompeu-me ele e eu apenas assenti com a cabeça sem nada dizer. – Sobre o que aconteceu…

- Não aconteceu nada. – retorqui antes que ele continuasse a falar. Fui parada, quando ele me segurou no braço e me fez olhar para ele.

- Eu sei mas… - tentei soltar-me do seu braço mas ele não deixou que isso acontecesse.

- Pára Dave. – pedi baixo e com um suspiro. – Não aconteceu nada por isso esquece o assunto. – sabia que estava a ser demasiado fria com ele, no entanto acho que esta era a única maneira que eu tinha arranjado para me tentar proteger daquilo que ainda sentia por ele. Tinha de me proteger de qualquer das maneiras, porque qualquer passo em falso, só ia revelar os meus sentimentos.

Ele fitou-me e engoliu em seco. – E se eu não conseguir esquecer? – perguntou e quando eu me preparava para falar, ele continuou. – E se eu não quiser esquecer?

Engoli em seco e abanei o braço, conseguindo por fim soltar-me. – Pára, por favor. – ele não devia entender como é que aquilo me deixava. Eu tinha mesmo ouvido bem? Se calhar todos aqueles filmes que eu tinha feito na minha cabeça, não tinham sido nada filmes mas sim a realidade. Se calhar eu não era a única que ainda gostava dele. Mas ele estava com a Rose, por isso não podia ainda gostar de mim, acho eu…

Comecei a andar, tentando assim afastar-me mais dele, no entanto conseguia ouvir os seus passos mesmo atrás de mim.

- Morgan! – chamou-me quando eu nem sequer parava de andar ou olhava para trás.

- Acho que é melhor irmos embora. Já compraste o vestido e penso que consegues tratar sozinho da parte das flores. – falei assim que ele ficou ao meu lado, a acompanhar o meu passo.

- Vais mesmo ser assim? – perguntou-me.

- Assim como? – revirei os olhos e empurrei a porta que nos separava do exterior do centro comercial. Sai lá para fora e virei-me para ele entregando-lhe a saca que continha o vestido. – Eu vou a pé e sozinha para casa. – avisei-o e quando me preparava para voltar a andar ele agarrou-me mais uma vez no braço. – Vais passar a vida a fazer isso? – perguntei enquanto me virava para ele.

- A fazer o quê? – perguntou enquanto me fitava, ou melhor, fitava os meus olhos, fazendo assim com que eu ficasse mais nervosa e o meu coração começasse de imediato a bater mais fortemente.

- A agarrar-me para me impedir de ir embora. – respondi.

Ele suspirou e puxou-me para mais perto dele. – Não, mas à uma coisa que preciso mesmo de fazer.

Abri a boca preparando-me para lhe perguntar do que é que ele estava a falar, mas nem sequer o consegui fazer. A sua boca juntou-se à minha, e depois de tanto tempo sem o beijar, senti por fim os seus lábios macios. Encaixavam-se perfeitamente nos meus e era como se nunca se tivessem separado. Ele colocou a mão na minha cintura puxando-me mais para ele e os seus lábios começaram a mover-se contra os meus de forma lenta mas um tanto desesperada. Aquele beijo estava repleto de saudade, sim, era esse o maior sentimento de todos ali pelo meio, outro era o desespero e eu sabia que também a paixão estava ali. Retribui o beijo no início meio hesitante, mas à medida que ele o aprofundava eu beijei-o mais. Levei uma mão aos seus cabelos e apertei os mesmos, deixando que aquele beijo, outrora calmo, se torna-se um pouco mais feroz. Senti as minhas costas embaterem contra algo frio quando ele me encostou a uma parede e, não sei porquê, mas aquilo fez-me ter noção do que estávamos para ali a fazer. Empurrei o Dave para trás, e engoli em seco enquanto o fitava. Ele olhava para mim, a sua respiração tão ofegante como a minha e nos seus olhos, conseguia ver que ele estava a pensar no mesmo que eu: na Rose.

- Tenho de ir embora. – disse muito rapidamente. Nem deixei que ele dissesse nada e comecei a correr rua abaixo. Não olhei mais para trás e limitei-me a correr para me afastar o mais depressa que conseguia dele. Eu sabia que aquilo não devia ter acontecido, mas como é que se impedia um coração de amar e desejar tanto uma pessoa? Eu ainda não sabia fazer isso, infelizmente.

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